21.6.07
OLHAR
19.6.07
Uma visão "de fundo"
Este é o "Canhão da Nazaré", visto em profundidade através de meios técnicos de última geração.Uma visão diferente do mundo em que vivemos, retirado de um blog que vale a pena continuar a visitar.
O mundo não pode ser visto apenas pela perspectiva literária...
ENXADA

Foi-te cair nas mãos a velha enxada,
De teus avós herança que ficou,
E que, por falta de uso, enferrujou,
Posta de canto, só e abandonada.
Na terra, agora inculta, onde cavou,
Muita flor viu abrir, numa alvorada,
E de pão viu sair muita fornada,
Das espigas que o Sol a rir dourou...
Mas tu, que por acaso a encontraste,
Sem teres contido o espanto que mostraste,

Nem bem saberes por onde lhe pegar,
Não vás pô-la de novo no seu canto!
Tira-a do chão, como se fosse um santo,
E põe-na, com respeito, num altar...
18.6.07
17.6.07
Vitorino canta A.J. Forte


De facto, Vitorino tem uma bela canção com os versos de António José Forte, "POEMA", que faz parte do álbum "Leitaria Garret". Mais tarde foi incluída no seu álbum "As mais bonitas".
Obrigado à minha vizinha aqui
16.6.07
António José Forte

António José Forte:Póvoa de Santa Iria, 6 de Fevereiro de 1931 - Lisboa, 15 de Dezembro de 1988. Ligado ao movimento surrealista, integrou, desde o seu início, em meados da década de 50 do século passado, o chamado grupo do Café Gelo. Foi funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, onde, durante mais de vinte anos desempenhou as funções de encarregado das Bibliotecas Itinerantes.
POEMA
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios
alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
(A. J. Forte)
14.6.07
Menina dos olhos tristes

Vamos senhor pensativo.
Anda bem triste um amigo,
A lua que é viajante,
Vem numa caixa de pinho.
Intérpretes: Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso
13.6.07
AL BERTO

Faz hoje 10 anos que faleceu o poeta AL BERTO. Confesso que o conheço mal. Razão para o procurar na herança que nos legou, uma obra poética que se tem vindo a impor.
Hoje encontrei este poema:
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto
(Foto in:http://nescritas.nletras.com/index.html
Reinaldo Ferreira

Texto de www.astormentas.com/din/multimedia.asp?autor=...
12.6.07
QUASE
Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
10.6.07
...se eu beijasse teu gesto...

Teu gesto que arrepanha e se extasia...
Caverna em estalactites o teu gesto...
9.6.07
7.6.07
Passeando por aí (II)
Pertenceu ao convento cisterciense fundado em 1287, tendo sido a rainha Santa quem mandou construir a enfermaria e o claustro, com colunas geminadas e capitéis decorados. É de três naves com cinco tramos e arcos ogivais, abrindo lateralmente por um portal gótico. Destacam-se as imagens, pinturas, altares barrocos, painéis e azulejos do séc. XVIII
(Monumento Nacional, Decreto Nº 6644 de 27-5-1920
in Património Arquitectónico e Arqueológico ClassificadoEdição promovida pelo IPPAR, 1993 )
6.6.07
Passeando por aí (I)




A Azambujeira teve foral de D. Filipe III em 1633. Em 1834 o concelho foi extinguido e as suas freguesias integradas no concelho de Santarém. Em 1836 foi criado o concelho de Rio Maior para o qual Azambujeira transitou.É talvez a povoação mais antiga do concelho de Rio Maior, com os seus primórdios a remontarem ao tempo de D.Sancho II. Era grande senhorio destas terras o fidalgo Bartolomeu Domingues de Carvalho e, no seu período áureo andou ligado ás casas de Sabugosa, Mursa e Soure e ao Marquês de Borba.
Segundo o livro do séc. XVIII,(costa, A.Carvalho, Corografia Portuguesa e descrição topográfica do famoso reino de Portugal. Tomo III, Lisboa 1706-1712) o seu nome deve-se ao facto de ai terem existido muitas arvores de azambujos. O azambujo é uma árvore bravia parecida com a oliveira. O seu fruto parece uma azeitona pequena. (Wikipédia)
5.6.07
Ruy Belo, era uma vez
Vista do Cemitério de S. João da Ribeira (concelho de Rio Maior), com a Torre Mourisca (Mon. Nacional).
Campa rasa do poeta Ruy Belo, natural de S. João da Ribeira. Na pedra está gravado o seu poema COLOFON OU EPITÁFIO:
Trinta dias tem o mês
e muitas horas o dia
todo o tempo se lhe ia
em polir o seu poema
a melhor coisa que fez
ele próprio coisa feita
ruy belo portugalês
Não seria mau rapaz
quem tão ao comprido jaz
ruy belo, era uma vez
3.6.07
"Riu, pegou na corda e fez girar a roldana"

O pricipezinho estava cansado. Sentou-se. Eu sentei-me ao seu lado. Primeiro , ficou uma data de tempo calado, mas depois disse:
- As estrelas são bonitas por causa de uma flor que não se vê...
Eu respondi "Claro" e pus-me a observar, calado, as pregas da areia ao luar.
- O deserto é bonito - disse o principezinho.
E era verdade. Sempre gostei do deserto. Uma pessoa senta-se numa duna. Não vê nada. Não ouve nada. E, no entanto, há qualquer coisa a brilhar no silêncio.
- O que torna o deserto bonito - disse o principezinho - é haver um poço escondido em qualquer parte...
O Pricipezinho, Antoine de Saint-Exupéry
2.6.07
Além do Tejo

"Ó Alentejo esquecido
ainda um dias hás-de cantar."
(Zeca Afonso)
O ENFORCADO
No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.
Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.
Dele sobra o cajado.
(Alexandre O’Neill)
31.5.07
ETERNIDADE DO VENTO
Pintura de Sarah Anderson«AO REGRESSAR EPISODICAMENTE A ESPANHA EM AGOSTO DE 1534 GARCILASO DE LA VEGA TEM CONHECIMENTO DA MORTE DE DONA ISABEL FREIRE»
30.5.07
A vós, que amais o amor...

29.5.07
Boa Vista - a Iha Fantástica
Dunas da ilha da Boa Vista / Cabo Verde: Morro de Areia. O deserto à beira-mar, num cenário de cortar a respiração, onde o epíteto de Ilha das Dunas ganha sentido. Do promontório avista-se um autêntico mar de areia, de vagas moldadas pelo vento, com o azul profundodo Atlântico a acenar um convite difícil de resistir.

A Ilha da Boa Vista
De Germano Almeida , escritor cabo-verdeano, é de ler: A Ilha Fantástica, retrato do lugar onde nasceu; Estórias contadas, compilação de crónicas escritas para O Público; e Viagem pela História das Ilhas, uma rota pelo arquipélago através daqueles que escreveram sobre ele. Todos editados pela Caminho.
De súbito, vem-me à memória uma cena do dia anterior. Uma jovem cabo-verdiana na praia, linda, de longos cabelos negros aos caracóis, a quem o namorado moldou uma cauda de sereia, numa cuidadosa escultura de areia. Quando cedi ao pedido para lhes tirar uma foto, vi que ela tinha tatuado todo o arquipélago na omoplata. A conversa posterior revelou que, tal como a maioria dos cabo-verdianos, também eles eram emigrantes. De que ela própria era a metáfora perfeita: dividida entre o conforto de uma vida melhor e o calor da terra natal, com o país gravado na pele. Ou no coração, tanto faz.
( Textos in : ROTAS & DESTINOS)
28.5.07
«Pôr em ordem»
Entrada ou...saída?
27.5.07
Não é despedida
Para lá dos teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam na tua alma.»
(Pablo Neruda, Vinte poemas...)
26.5.07
ESTRANGEIRICES TORRIENSES
23.5.07


22.5.07
As primeira leituras

Capri20.5.07
VENEZA E O SONHO

De que serve Veneza sem sonho? Eu sei, Veneza é umas tuas "cidades invisíveis". Talvez esses sejam os lugares mais reais da nossa vida, como sugere Calvino, sonhos reais porque intensamente imaginados até serem mais vida do que todas as "realidades" vividas.
" Mesmo em Raissa, cidade triste, corre um fio invisível que liga um ser vivo a outro por um instante e a seguir se desfaz, e depois torna a estender-se entre pontos em movimento desenhando novas rápidas figuras de modo que a cada segundo a cidade infeliz contém uma cidade feliz que nem sequer sabe que existe."
Veneza, dizem os amantes impossíveis, é a cidade mais triste do mundo...
18.5.07
A HERANÇA DE ESZTER

TRADIÇÕES ? !

Procurei o significado:
16.5.07
LUGAR ONDE - BADALADAS Semanário Regional de Torres Vedras

Mais do que os aspectos nevróticos da sua personalidade, importa realçar a extraordinária artífice de poesia que foi Florbela Espanca.
A poesia precisa de emoção e sentimento mas isso não chega. Muitos autores pensam que os seus poemas têm valor só porque os fizeram com lágrimas nos olhos, a sentirem muito o que escreviam. Mas não basta isso: é necessária, de igual modo, uma realização linguística significativa, uma construção artística e rigorosa de palavras. Caso contrário não se passa de banalidade vazia.
Florbela Espanca soube aliar à sensibilidade – por vezes exacerbada - uma enorme capacidade para exprimir verbalmente quem era e o que sentia. Usou como forma artística o soneto decassilábico ( poema de 14 versos de dez sílabas, em duas quadras e dois tercetos) em que foi exímia, muitas vezes ao nível dos nossos maiores nessa arte - Camões, Bocage e Antero de Quental. A sua originalidade está no facto de, usando essa forma clássica, abordar temas extremamente ousados para a sua época, como são o erotismo e a mulher activa na relação amorosa. Não fazendo parte de nenhuma escola ou grupo literários, conjugou as suas vivências pessoais com o tom mais inovador da expressão poética do seu tempo, de que Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa foram exemplos maiores. Florbela Espanca foi dos primeiros escritores a libertarem-se do convencionalismo moralista, assumindo o Desejo e o Corpo como realidades a não esconder, o que lhe acarretou incompreensões de toda a ordem. De igual modo antecipou o sentir da Humanidade moderna, insatisfeita e revoltada, procurando desesperadamente um sentido para a vida e as formas mais intensas de o exprimir. Foi esta coragem de viver em antecipação ao seu tempo que garantiu a Florbela Espanca a projecção que ainda hoje tem.
VIDA E OBRA
Florbela Espanca ( 1894 – 1930 ). Natural de Vila Viçosa, Alentejo. Estudos liceais em Évora e universitários em Lisboa. Dois casamentos e dois divórcios, motivos de escândalo na época. Terceiro casamento, com um médico. Devastada pela morte de seu único irmão, em 1927, e enredada nas contradições entre a afectividade real e a ânsia de Absoluto, suicida-se a 8 de Dezembro, no dia do seu 36º aniversário, na casa onde vivia, em Matosinhos. Desde 17 de Maio de 1964 – data da trasladação - os seus restos mortais repousam à entrada do cemitério da sua terra natal.
Obra principal: “SONETOS”, em que se reúne a poesia publicada antes e depois da sua morte: «Livro de Mágoas»(1919); «Livro de Soror Saudade»(1923); «Charneca em Flor»(1930); e «Reliquiae», versos póstumos publicados pela primeira vez na 2ª edição de Charneca em Flor, em1931. Também postumamente foram publicados textos seus em prosa: «Cartas de Florbela Espanca», «Contos» e «Diário». Os «Contos» (colectâneas “O Dominó Preto”, “As Máscaras do Destino” e “Contos Esparsos”) e o «Diário» tiveram uma 1ª edição de bolso nas Publicações Dom Quixote, em 2000.
EXCERTOS DO “DIÁRIO” (escrito no ano da sua morte)
23 de Janeiro: «Para que quer esta criatura a inteligência, se não há meio de ser feliz?», dizia, dantes, meu pai, indignado. Ó ingénuo pai de 60 anos, quando é que tu viste servir a inteligência para tornar feliz alguém? Quando, ó ingénuo pai de 60 anos?... Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto, ó ingénuo pai de 60 anos!
23 de Fevereiro: A vida tem a incoerência dum sonho. E quem sabe se realmente estaremos a dormir e a sonhar e acabaremos por despertar um dia? Será a esse despertar que os católicos chamam Deus?
28 de Fevereiro: Estou tão magrita! A lâmina vai corroendo a bainha, a pouco e pouco, mas implacavelmente, com segurança. Devo ter por alma um diamante ou uma labareda e sinto nela a beleza inquietante e misteriosas das obras incompletas ou mutiladas.
2 Dezembro: (última anotação) E não haver gestos novos nem palavras novas!
SONETOS DE FLORBELA
QUEM SABE?...
Queria tanto saber porque sou Eu!
Quem me enjeitou neste caminho escuro?
Queria tanto saber porque seguro
Nas minhas mãos o bem que não é meu!
Quem me dirá se, lá no alto, o Céu
Também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma, que morreu?
Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!
A estrada de Damasco, o meu caminho,
O meu bordão de estrelas de ceguinho,
Água da fonte de que estou sedenta!
Quem sabe se este anseio de Eternidade,
A tropeçar na sombra, é a Verdade,
É já a mão de Deus que me acalenta?
SER POETA
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
AMBICIOSA
Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar...
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar...
- Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !
Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !
O amor dum homem? – Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada...
TRAÇOS DE IDENTIDADE I I



















