Canções eternas.
...e resistência à ditadura musical anglo-saxónica!
26.6.07
Georges Moustaki - Humblement il est venu
O LABIRINTO DO FAUNO

24.6.07
TEU NOME

Teu nome, teu disfarce, tua ausência
do círculo familiar, a tua viagem,
tua febre, tua recusa e anuência
teu estar connosco e, entanto, à nossa margem.
Teu corpo, teu sentido, tua luta,
teus olhos fundos, teu perfil estranho,
teu quarto, teu refúgio, cela, gruta,
teu gado fugidio, teu amanho.
Teu riso inesperado, teu mistério,
teu sereno dormir, tua lembrança,
teu não acreditar no Quinto Império,
teu vivo exemplo, tua confiança,
teu sílex interior, teu rosto sério,
teu modo de ensinar-nos a esperança.
22.6.07
AGRADECENDO AO MEU AMIGO CID SIMÕES QUE ME ENVIOU ESTE BELÍSSIMO POEMA
PARA FAZER O RETRATO DE UM PÁSSARO
Pinta primeiro uma gaiola
com a porta aberta
pinta a seguir
qualquer coisa bonita
qualquer coisa simples
qualquer coisa bela
qualquer coisa útil
para o pássaro
agora encosta a tela a uma árvore
num jardim
num bosque
ou até numa floresta
esconde-te atrás da árvore
sem dizeres nada
sem te mexeres...
Às vezes o pássaro não demora
mas pode também levar anos
antes que se decida
Não deves desanimar
espera
espera anos se for preciso
a rapidez ou a lentidão da chegada
do pássaro não tem qualquer relação
com o acabamento do quadro
Quando o pássaro chegar
se chegar
mergulha no mais fundo silêncio
espera que o pássaro entre na gaiola
e quando tiver entrado
fecha a porta devagarinho com o pincel
depois
apaga uma a uma todas as grades
com cuidado não vás tocar nalguma das penas
Faz a seguir o retrato da árvore
escolhendo o mais belo dos ramos
para o pássaro
pinta também o verde da folhagem a frescura do vento
a poeira do sol
e o ruído dos bichos entre as ervas no calor do verão
e agora espera que o pássaro se decida a cantar
se o pássaro não cantar
é mau sinal
é sinal que o quadro não presta
mas se cantar é bom sinal
sinal de que podes assinar
então arranca com muito cuidado
uma das penas do pássaro
e escreve o teu nome num canto do quadro.
Jacques Prévert
(Trad. De Eugénio de Andrade)
POUR FAIRE LE PORTRAIT D’UN OISEAU
A Elsa Henriquez
Peindre d’abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d’utile
pour l’oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l’arbre
sans rien dire
sans bouger…
Parfois l’oiseau arrive vite
mais il peut aussi bien mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s’il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l’arrivée de l’oiseau
n’ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l’oiseau arrive
S’il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l’oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l’oiseau
Faire ensuite le portrait de l’arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l’oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l’herbe dans la chaleur de l’été
et puis attendre que l’oiseau se décide à chanter
Si l’oiseau ne chante pas
c’est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s’il chante c’est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
une des plumes de l’oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
Jacques Prévert
21.6.07
OLHAR
19.6.07
Uma visão "de fundo"
Este é o "Canhão da Nazaré", visto em profundidade através de meios técnicos de última geração.Uma visão diferente do mundo em que vivemos, retirado de um blog que vale a pena continuar a visitar.
O mundo não pode ser visto apenas pela perspectiva literária...
ENXADA

Foi-te cair nas mãos a velha enxada,
De teus avós herança que ficou,
E que, por falta de uso, enferrujou,
Posta de canto, só e abandonada.
Na terra, agora inculta, onde cavou,
Muita flor viu abrir, numa alvorada,
E de pão viu sair muita fornada,
Das espigas que o Sol a rir dourou...
Mas tu, que por acaso a encontraste,
Sem teres contido o espanto que mostraste,

Nem bem saberes por onde lhe pegar,
Não vás pô-la de novo no seu canto!
Tira-a do chão, como se fosse um santo,
E põe-na, com respeito, num altar...
18.6.07
17.6.07
Vitorino canta A.J. Forte


De facto, Vitorino tem uma bela canção com os versos de António José Forte, "POEMA", que faz parte do álbum "Leitaria Garret". Mais tarde foi incluída no seu álbum "As mais bonitas".
Obrigado à minha vizinha aqui
16.6.07
António José Forte

António José Forte:Póvoa de Santa Iria, 6 de Fevereiro de 1931 - Lisboa, 15 de Dezembro de 1988. Ligado ao movimento surrealista, integrou, desde o seu início, em meados da década de 50 do século passado, o chamado grupo do Café Gelo. Foi funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, onde, durante mais de vinte anos desempenhou as funções de encarregado das Bibliotecas Itinerantes.
POEMA
Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva duma estrada
alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler
alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios
alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse
para ouvir-te sonhar
(A. J. Forte)
14.6.07
Menina dos olhos tristes

Vamos senhor pensativo.
Anda bem triste um amigo,
A lua que é viajante,
Vem numa caixa de pinho.
Intérpretes: Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso
13.6.07
AL BERTO

Faz hoje 10 anos que faleceu o poeta AL BERTO. Confesso que o conheço mal. Razão para o procurar na herança que nos legou, uma obra poética que se tem vindo a impor.
Hoje encontrei este poema:
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto
(Foto in:http://nescritas.nletras.com/index.html
Reinaldo Ferreira

Texto de www.astormentas.com/din/multimedia.asp?autor=...
12.6.07
QUASE
Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
10.6.07
...se eu beijasse teu gesto...

Teu gesto que arrepanha e se extasia...
Caverna em estalactites o teu gesto...
9.6.07
7.6.07
Passeando por aí (II)
Pertenceu ao convento cisterciense fundado em 1287, tendo sido a rainha Santa quem mandou construir a enfermaria e o claustro, com colunas geminadas e capitéis decorados. É de três naves com cinco tramos e arcos ogivais, abrindo lateralmente por um portal gótico. Destacam-se as imagens, pinturas, altares barrocos, painéis e azulejos do séc. XVIII
(Monumento Nacional, Decreto Nº 6644 de 27-5-1920
in Património Arquitectónico e Arqueológico ClassificadoEdição promovida pelo IPPAR, 1993 )
6.6.07
Passeando por aí (I)




A Azambujeira teve foral de D. Filipe III em 1633. Em 1834 o concelho foi extinguido e as suas freguesias integradas no concelho de Santarém. Em 1836 foi criado o concelho de Rio Maior para o qual Azambujeira transitou.É talvez a povoação mais antiga do concelho de Rio Maior, com os seus primórdios a remontarem ao tempo de D.Sancho II. Era grande senhorio destas terras o fidalgo Bartolomeu Domingues de Carvalho e, no seu período áureo andou ligado ás casas de Sabugosa, Mursa e Soure e ao Marquês de Borba.
Segundo o livro do séc. XVIII,(costa, A.Carvalho, Corografia Portuguesa e descrição topográfica do famoso reino de Portugal. Tomo III, Lisboa 1706-1712) o seu nome deve-se ao facto de ai terem existido muitas arvores de azambujos. O azambujo é uma árvore bravia parecida com a oliveira. O seu fruto parece uma azeitona pequena. (Wikipédia)
5.6.07
Ruy Belo, era uma vez
Vista do Cemitério de S. João da Ribeira (concelho de Rio Maior), com a Torre Mourisca (Mon. Nacional).
Campa rasa do poeta Ruy Belo, natural de S. João da Ribeira. Na pedra está gravado o seu poema COLOFON OU EPITÁFIO:
Trinta dias tem o mês
e muitas horas o dia
todo o tempo se lhe ia
em polir o seu poema
a melhor coisa que fez
ele próprio coisa feita
ruy belo portugalês
Não seria mau rapaz
quem tão ao comprido jaz
ruy belo, era uma vez
3.6.07
"Riu, pegou na corda e fez girar a roldana"

O pricipezinho estava cansado. Sentou-se. Eu sentei-me ao seu lado. Primeiro , ficou uma data de tempo calado, mas depois disse:
- As estrelas são bonitas por causa de uma flor que não se vê...
Eu respondi "Claro" e pus-me a observar, calado, as pregas da areia ao luar.
- O deserto é bonito - disse o principezinho.
E era verdade. Sempre gostei do deserto. Uma pessoa senta-se numa duna. Não vê nada. Não ouve nada. E, no entanto, há qualquer coisa a brilhar no silêncio.
- O que torna o deserto bonito - disse o principezinho - é haver um poço escondido em qualquer parte...
O Pricipezinho, Antoine de Saint-Exupéry
2.6.07
Além do Tejo

"Ó Alentejo esquecido
ainda um dias hás-de cantar."
(Zeca Afonso)
O ENFORCADO
No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.
Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.
Dele sobra o cajado.
(Alexandre O’Neill)
31.5.07
ETERNIDADE DO VENTO
Pintura de Sarah Anderson«AO REGRESSAR EPISODICAMENTE A ESPANHA EM AGOSTO DE 1534 GARCILASO DE LA VEGA TEM CONHECIMENTO DA MORTE DE DONA ISABEL FREIRE»
30.5.07
A vós, que amais o amor...

29.5.07
Boa Vista - a Iha Fantástica
Dunas da ilha da Boa Vista / Cabo Verde: Morro de Areia. O deserto à beira-mar, num cenário de cortar a respiração, onde o epíteto de Ilha das Dunas ganha sentido. Do promontório avista-se um autêntico mar de areia, de vagas moldadas pelo vento, com o azul profundodo Atlântico a acenar um convite difícil de resistir.

A Ilha da Boa Vista
De Germano Almeida , escritor cabo-verdeano, é de ler: A Ilha Fantástica, retrato do lugar onde nasceu; Estórias contadas, compilação de crónicas escritas para O Público; e Viagem pela História das Ilhas, uma rota pelo arquipélago através daqueles que escreveram sobre ele. Todos editados pela Caminho.
De súbito, vem-me à memória uma cena do dia anterior. Uma jovem cabo-verdiana na praia, linda, de longos cabelos negros aos caracóis, a quem o namorado moldou uma cauda de sereia, numa cuidadosa escultura de areia. Quando cedi ao pedido para lhes tirar uma foto, vi que ela tinha tatuado todo o arquipélago na omoplata. A conversa posterior revelou que, tal como a maioria dos cabo-verdianos, também eles eram emigrantes. De que ela própria era a metáfora perfeita: dividida entre o conforto de uma vida melhor e o calor da terra natal, com o país gravado na pele. Ou no coração, tanto faz.
( Textos in : ROTAS & DESTINOS)
28.5.07
«Pôr em ordem»
Entrada ou...saída?
27.5.07
Não é despedida
Para lá dos teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam na tua alma.»
(Pablo Neruda, Vinte poemas...)
26.5.07
ESTRANGEIRICES TORRIENSES
23.5.07


22.5.07
As primeira leituras

Capri


















