Cada minuto à tua beira
me recompensa da sorte azeda,
da chuva pesada, do frio nos ossos.
Cada minuto à tua beira
é todo o tempo à beira-mar.
Longe de ti recordo ainda
cada minuto à tua beira
e enlouquecido bebo a noite
cada minuto à tua beira,
tu que te chamas guitarra, poço,
brancura de lençol, brisa, domingo,
tu que me dás serenamente
(a mim que sempre o espero doidamente)
cada minuto à tua beira.
in: CUIDAR DOS VIVOS, Fernando Assis Pacheco
Foto: J Moedas Duarte, Foz do Lizandro, a sul da Ericeira