Viajando num tempo improvável, entro nestes dois livros que uma curiosidade renovada me fez tirar da fila de trás da biblioteca. Garrett coloca em epígrafe das suas Viagens o primeiro parágrafo do livro de X. de Maistre, Viagem à Roda do meu Quarto: "Como é glorioso iniciar uma nova carreira, e aparecer subitamente no mundo culto, com um livro de descobertas na mão, tal um cometa inesperado que fulge no espaço." Páginas adentro, sou arrebatado pela vertigem destas escritas profundamente inovadoras para o tempo em que foram publicadas. Longe dos fastidiosos relatos de viagens, repletos de erudição pedante, estes afirmam-se pela frescura da escrita e a risonha ironia de quem sabe que não precisa nem quer afirmar-se como literato. O primeiro, publicado em 1795, o segundo em 1846, chegam-nos com a novidade e o viço de fruta apanhada ontem.

