

Jacques Le Goff é um dos maiores historiadores de sempre. Especialista em Idade Média europeia, escreveu vários livros essenciais sobre este período histórico: " A Civilização do Ocidente Medieval"; "O Imaginário Medieval"; "Os Intelectuais na Idade Média". A Editora Temas e Debates vai agora publicar "A Idade Média Para Principiantes", deste autor. A Editora Teorema publicará "Por Amor das Cidades".
À questão central de saber se a História e o seu estudo ainda servem para alguma coisa, Jacques Le Goff respondeu ( Ver : Jornal de Letras, 25 de Abril 2007 ):
«Temos de mostrar que a História existe, não devemos limitar-nos a contar História. Devemos mostrar que há uma relação entre o passado e o presente, devemos fazer com que os estudantes sintam o seu peso positivo ou negativo, sintam a presença da História na actualidade e, se possível, nas suas vidas pessoais.»
Sobre o papel dos professores de História:
« Parece-me que o papel do professor é, sobretudo, o de dar vontade aos estudantes de conhecer o essencial da História e de compreendê-la. E não obrigá-los a decorar factos e circunstâncias.»
Partilho esta perspectiva, que ouvi pela primeira vez, de forma desassombrada, a uma professora de História, já aposentada: "Não me interessa que os alunos saibam muita História. Prefiro que fiquem a gostar de História".
A maioria das pessoas que me dizem detestar a História explicam essa aversão pelo facto de terem sido obrigadas a decorar montes de factos e datas que esqueceram rapidamente.
Pelo contrário, os que gostam de História referem muitas vezes ter tido professores motivadores, aulas interessantes, debates frequentes, encorajamento de pesquisas pessoais.
A um professor de História pede-se que ajude os alunos a saberem procurar informação, a seleccioná-la, a entendê-la, a relacioná-la.
- Ah! Mas no meu tempo não era nada disso. Eu aprendi os reis todos de Portugal, com os cognomes e tudo!
Pois é. Mas infelizmente o saber histórico acaba aí. Estes adultos saudosos da sua aprendizagem tradicional, têm mas é saudades da infância. De um modo geral são tremendamente ignorantes àcerca dos mais triviais conhecimentos históricos. E não sabem onde procurá-los. No entanto, eles abundam por aí: nunca houve tantas enciclopédias, sites na Internet, livros, romances históricos, passeios turístico-culturais.
Só há um modo de compreender o presente em que vivemos: estudar a História que o explica.
Jacques Le Goff: um historiador a reler.















































