16.12.11


EDUARDO LOURENÇO É O PRÉMIO PESSOA 2011

Eduardo Lourenço é o Prémio Pessoa 2011. O Prémio Pessoa é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do País. Esta é a 25.ª edição do Prémio Pessoa.

Escreve o Júri: “
«Num momento crítico da História e da sociedade portuguesa, torna-se imperioso e urgente prestar reconhecimento ao exemplo de uma personalidade intelectual, cultural, ética e cívica que marcou o século XX português.

Eduardo Lourenço foi membro deste Júri desde o primeiro dia até 1993, tendo saído por vontade própria. A sua presença prestigiou o Prémio, que este ano celebra 25 anos de vida. O Prémio prestigia agora a sua presença e a sua intervenção na sociedade, ao longo de décadas de dedicação, labor e curiosidade intelectual, que o levaram à constituição de uma obra filosófica, ensaística e literária sem paralelo.

Entende o Júri homenagear ainda a generosidade e a modéstia desta sabedoria, que tendo deixado uma marca universal nos Estudos Portugueses e nos Estudos Pessoanos, nunca desdenhou a            heteredoxia nem as grandes questões do nosso tempo e da nossa identidade. Em 2011, a Fundação Gulbenkian iniciou a publicação das suas ‘Obras Completas’, sendo que ao I Volume das Heteredoxias o autor acrescentou textos posteriores ao original, obra fundadora do pensamento cultural português.

Eduardo Lourenço é um português de que os portugueses se podem e devem orgulhar. O espírito de Eduardo Lourenço foi sempre reforçado pela sua cidadania atenta e atuante.
 Portugal precisa de vozes como esta. E de obras como esta”.» - pode ler-se na ata da reunião do júri.

O "Prémio Pessoa" é uma  iniciativa anual do jornal EXPRESSO com o patrocínio da  Caixa Geral de Depósitos, cuja designação se inspira no nome  de Fernando Pessoa, e que se propõe reconhecer a actividade  de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país. Contra a corrente de uma velha tradição nacional, segundo a qual a projecção de algumas obras da maior importância só foi verdadeiramente alcançada depois da morte dos seus autores - e foi esse, precisamente, o caso de Fernando Pessoa -, o Prémio Pessoa pretende representar uma nova atitude, um novo gesto, no reconhecimento contemporâneo das intervenções culturais e            científicas produzidas por portugueses.

O júri do Prémio Pessoa 2011 é constituído por: Francisco Pinto Balsemão (Presidente); Fernando Faria de Oliveira (Vice-Presidente); António Barreto; Clara Ferreira Alves; Diogo Lucena; João Lobo Antunes; José Luís Porfírio; Maria de Sousa; Mário Soares; Miguel Veiga; Rui Magalhães Baião.

O "Prémio Pessoa 2011" é constituído por um diploma e uma dotação em dinheiro no valor de 60.000 euros.

Esta é a 25.ª  edição do Prémio Pessoa. A lista dos galardoados  composta pelos seguintes nomes:

             1987 - José Mattoso
            1988 - António Ramos Rosa
            1989 - Maria João Pires
            1990 - Menez
            1991 - Cláudio Torres
            1992 - António e Hanna Damásio
            1993 - Fernando Gil
            1994 - Herberto Helder
            1995 - Vasco Graça Moura
            1996 - João Lobo Antunes
            1997 - José Cardoso Pires
            1998 - Eduardo Souto Moura
            1999 - Manuel Alegre e José Manuel Rodrigues
            2000 - Emanuel Nunes
            2001 - João Bénard da Costa
            2002 - Manuel Sobrinho Simões
            2003 - José Joaquim Gomes Canotilho
            2004 – Mário Cláudio
            2005 – Luís Miguel Cintra
            2006 – António Câmara
            2007 – Irene Flunser Pimentel
            2008 - João Luís Carrilho da Graça
            2009 – D. Manuel Clemente
            2010 – Maria do Carmo Fonseca
            2011 – Eduardo Lourenço

9.12.11

MEMÓRIA DE UM HOMEM DE CULTURA



Luís Francisco Rebelo morreu ontem. Foi um homem de Cultura, sobretudo na área do Teatro - como autor e crítico - e na do "direito de autor".

Ver aqui:

http://aeiou.expresso.pt/morreu-luiz-francisco-rebello-1924-2011=f693300

CLÁSSICOS


À medida que os anos passam aumenta a minha consciência de que a Literatura, tal como as cidades antigas, é feita de dois espaços: o Centro Histórico e as novas áreas urbanas. Os clássicos são os centros históricos da Literatura. Como tão bem se diz aqui:

http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=297798

.....................................................................

1.12.11

LIVROS SOBRE ALVES REDOL




Preparo a próxima sessão da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal de TVedras, sobre Alves Redol e os seus Avieiros, a realizar em 15 dezembro como se pode ver melhor AQUI.
Dois livros muito úteis: o primeiro, de testemunhos dos seus contemporâneos, num volume editado pela Caminho há dez anos; e o belíssimo catálogo da exposição sobre Redol no museu do Neorrealismo, em Vila Franca de Xira.

17.11.11

Uma revista que vale a pena LER !



A revista LER deste mês é uma preciosidade, veja-se a capa. Teve a ideia de levar António Lobo Antunes até casa de Georges Steiner, em Cambridge e gravou o encontro/conversa entre eles. Muitas fotos completam um longo texto que vai da página 34 à 52. Estamos ali no meio deles, ouvindo-os discorrer sobre a vida, as leituras, os problemas políticos da atualidade, os sentimentos de quem já muito viveu e escreveu. Emocionante, comovente. Estes homens são testemunhas privilegiadas do nosso tempo porque o lêem de um ponto de vista cultural. Homens informados que meditam. Homens capazes de carregarem emoção na análise intectual. Homens que compensam o desencanto com uma enorme capacidade de ternura.

Sou leitor da LER quase desde o início, em 1987. Guardei muitas delas, a que recorro frequentemente em busca de dados ou para rever páginas únicas sobre livros e autores. Posso dizer que o número deste mês é dos melhores de sempre. Além do já citado trabalho, ainda traz uma entrevista ao jovem e irreverente cientista português João Magueijo, para além das recensões críticas e crónicas dos colaboradores habituais. E há páginas de humor!
São 5 € muito bem empregados!
Apetecia-me fazer transcrições mas resisto à tentação. Qualquer escolha seria injusta para o resto do texto.
Se fui convincente... leiam a LER - um oásis no deserto cultural da nossa imprensa escrita.

                                                                                   

8.11.11

SAUDAÇÃO A UM POETA


«É preciso tentar ser feliz, nem que seja apenas para dar o exemplo» (Jacques Prévert)

Poalha de oiro que recolhi na manhã do passado domingo, nas Termas dos Cucos, saudação a Fernando Jorge Fabião, que um dia me enviou esta frase de J. Prévert.

Foto (C) Méon

1.11.11

léo ferré - avec le temps


Há quanto tempo não ouvimos uma canção francesa na rádio ou na TV?

23.10.11

LUGAR ONDE DE 21 outubro 2011 no BADALADAS


MANUEL DA FONSECA
A ESCRITA DE UM IMENSO E TORTURADO ALENTEJO



ALDEIA

Nove casas,

duas ruas,

ao meio das ruas

um largo,

ao meio do largo

um poço de água fria.



Tudo isto tão parado

e o céu tão baixo

que quando alguém grita para longe

um nome familiar

se assustam pombos bravos

e acordam ecos no descampado.


(OBRA POÉTICA, Manuel da Fonseca,

Ed. Caminho, 1998)



“Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido; o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila.” (Início do conto O Largo do livro O FOGO E AS CINZAS, de Manuel da Fonseca)
A escrita de Manuel da Fonseca (MF) é marcada por fortes traços autobiográficos sem, no entanto, cair na limitação de uma visão individualista da vida. Pelo contrário, Manuel da Fonseca –, cujo centenário do nascimento passou no dia 15 de outubro – exprime brilhantemente a condição do povo alentejano que ele bem conhecia, esmagado por condições de vida desumanas, num Estado Novo onde as liberdades cívicas eram diariamente espezinhadas. Sem o esquematismo simplista de que os neo-realistas foram injustamente acusados, MF deixou obras de intenso dramatismo romanesco, - a romance SEARA DE VENTO, por exemplo - ou contos magníficos pela observação do seu ambiente de origem, o Alentejo queimado e ressequido de fome – caso de O FOGO E AS CINZAS -, ou ainda as crónicas de certeira descrição de um mundo urbano em acelerada mudança, em que ele viveu muitos anos –  caso de UM VAGABUNDO NA CIDADE.
Quer na prosa quer na poesia, Manuel da Fonseca tem uma escrita límpida e direta, sem efeitos retóricos, mas intensa de lirismo e forte sentido da dimensão humana. Do ponto de vista literário, o tempo não desgastou esta obra, e teve o condão de lhe dar uma forte componente de testemunho histórico e sociológico sobre a segunda metade do século XX em Portugal. | JMD
 * * *

RESUMO BIOGRÁFICO


Nome: Manuel da Fonseca
Nascimento: 15-10-1911, Santiago do Cacém
Morte: 11-3-1993, Lisboa

Partiu ainda jovem para Lisboa para realizar estudos secundários, tendo desempenhado posteriormente na capital diversas atividades profissionais no comércio, na indústria e no jornalismo. Antes de colaborar em Novo Cancioneiro, com Planície, coleção onde se afirmariam algumas coordenadas da estética poética Neorrealista numa primeira fase, editou, em 1940, Rosa dos Ventos, obra pioneira do neorrealismo poético português, nascida do convívio com um grupo de jovens escritores, entre os quais Mário Dionísio, José Gomes Ferreira, Rodrigues Miguéis, Manuel Mendes e Armindo Rodrigues, unidos numa "obstinada recusa de ser feliz num mundo agressivamente infeliz, uma ânsia de dádiva total e o grande sonho de criar uma literatura nova, radicada na convicção de que, na luta imensa pela libertação do Homem, ela teria um papel estimável a desempenhar contra o egoísmo, os interesses mesquinhos, a conivência, a indiferença perante o crime, a glorificação de um mundo podre" (DIONÍSIO, Mário - prefácio a Obra Poética de Manuel da Fonseca, 1984, p. 21).

(…)
Bibliografia: Rosa dos Ventos, Lisboa, 1940; Planície, Coimbra, 1941; Aldeia Nova, Lisboa, 1942; Cerromaior, Lisboa, 1943; O Fogo e as Cinzas, Lisboa, 1951; Seara de Vento, Lisboa, 1958; Poemas Completos, Lisboa, 1958 (inclui obras anteriores e poemas inéditos, Lisboa, 1969); Um Anjo no Trapézio, Lisboa, 1968; Tempo de Solidão, Lisboa, 1969; Obra Poética, Lisboa, 1984; Crónicas Algarvias, Lisboa, 1986; Bairro de Lata, Lisboa, 1986; O Vagabundo na Cidade, Lisboa, 2001)

(Infopédia, Porto Editora)

* * *


 

UM GRANDE POETA
«(…) a poesia de Manuel da Fonseca continua a existir com a sua frescura inicial e a sua energia, a sua capacidade de comover e seduzir, o seu reservatório de sonho, o seu mistério. Porque, se algum mistério na poesia há, só pode ser este interminavelmente descobrir e nos fazer descobrir que em cada coisa que o homem produz e em si produz — uma palavra, um ato de renúncia ou de revolta, um silêncio de espanto ou uma marcha Almadanim — em cada coisa, que sem ela morreria, sempre vive e arde uma riqueza interior que não se esgota, a lava da tal razão que a razão desconhece, uma força de prodígio, um apelo irresis­tível que vai de homem a homem, que muda, mudará os homens e as coisas; o apelo que ilumina e aquece toda a obra de Manuel da Fonseca, todo o seu encantamento e toda a sua violência, toda a sua rudeza e toda a sua ternura.(…)»

(Mário Dionísio, 1969, Prefácio da OBRA POÉTICA de Manuel da Fonseca, Ed. Caminho, 8ª edição, Lisboa, 1984)


* * *


Tejo que levas as águas



Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
De roubos fomes terror
Lava a cidade de quantos
Do ódio fingem amor

Lava bancos e empresas
Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza
Arrecadam lucro inteiro

Lava palácios vivendas
Casebres bairros da lata
Leva negócios e rendas
Que a uns farta  a outros mata

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas

Lava avenidas de vícios
Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios
Cadeias e hospitais

Afoga empenhos favores
Vãs glórias ocas palmas
Leva o poder de uns senhores
Que compram corpos e almas
 Das camas de amor comprado
Desata abraços de lodo
Rostos corpos destroçados
Lava-os com sal e iodo
 Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.
 Manuel da Fonseca, OBRA POÉTICA,
ª ed, ed. Caminho, Lisboa, 1998)






AGUARELA 1

Lagoa de Óbidos
Aguarela,  Ermelinda Borges (Torres Vedras)

LUGAR ONDE de 23 setembro 2011 no BADALADAS (1)

(1) O pequeno texto de introdução "Merecer Timor", bem como o mapa, não foram publicados no BADALADAS por falta de espaço





MERECER TIMOR


Timor foi um sobressalto cívico para nós, portugueses, quando vimos as imagens chocantes da repressão no cemitério de Santa Cruz, em Dili, em 12 de Novembro de 1991. O país foi varrido por uma onda de solidariedade para com o povo timorense, onda tão forte quanto passageira. Timor fica demasiado longe. Já nem nos lembramos que no referendo de Agosto de 1999, apesar das ameaças da Indonésia, mais de 98% da população timorense foi às urnas e o resultado apontou que 78,5% dos timorenses que votaram pela independência. E que a Língua Portuguesa foi adotada como oficial, a par do tétum. Será que merecemos Timor?

Mas há sempre quem resista ao esquecimento. A Escola P. Vítor Milícias, de Torres Vedras, tem uma geminação com Timor e teima em estreitar contactos com aquele país, numa corajosa missão de elevadíssimo valor cultural e humano. Disso nos dão conta nesta página os professores que estiveram em Timor no seu período de férias, no passado mês de Agosto. | JMD


* * *
Torres Vedras visita Soibada

Escola Padre Vítor Melícias marca presença na escola Pré-Secundária timorense





A mais de 15.000Km de distância do ponto mais ocidental da Europa, debaixo da sombra do gondoeiro, encontrámos todos os nomes portugueses: Samuel, Ana, Rosário, Eufémia, Gabriel, Valente, Umbelina, Avelino, Germano, João, Carlos, Juliana, José, Cesário, Aníbal, Crisóstomo, Fátima, Abel, Agostinho, Celestino, Cristóvão, Armindo, Raul, Joaquim, Alexandre, Bernardino, Isaías, Duarte, Eduarda, Adelina, Nelson, Simplício, Inácio, Manuela, Cecília, Januário, Luís, Abraão, Paulina, Alexandrino, António, Maria, Eulália, Felismina, Domingos, Sebastião, Veríssimo Rita, Luísa, Augusta, Belchior, Lucinda, Teresa, Albino, Francisco, Jacinta, Francisca, Ângelo, Domingos, Napoleão, Alzira, Cunha, Sequeira, Sarmento, Cruz, Amaral, Caldas, Costa, Soares, Carvalho, Pinto, Alves, Batista, Dias, Alves, Mendonça, Oliveira, Jesus, Rodrigues, Silva, Santana, Mendes, Fernandes, Pereira, Lemos, Reis, Cosme, Carvalho. Na árvore da tranquilidade, misturámo-nos com todos esses nomes que nos deixaram estupefactos face à marca viva e acarinhada da presença portuguesa no sudeste asiático, em Timor Lorosae.
A visita à ilha, mais concretamente ao antigo reino de Samoro (atual Soibada), revelou-nos um país em construção que mantém a ligação mítica entre dois povos diferentes que juraram lealdade eterna num cenário natural indescritivelmente belo, porta aberta para o paraíso. Na escola de Soibada, além de material escolar, deixámos cinco máquinas fotográficas para que alunos e professores possam registar rostos e o quotidiano de forma a dar a conhecer o seu dia-a-dia aos parceiros portugueses, através não só das fotos mas também da narrativa feita em português e tétum, ambas línguas oficiais, e avivar os laços entre os dois países.

 Nota: Esta visita só foi possível graças ao empenho e determinação do padre Vítor Melícias (patrono da escola envolvida).   


***

O projeto de geminação



“Muito gostaria que esta escola se geminasse com a escola de Soibada, a Coimbra de Timor.” Xanana Gusmão, Escola Padre Vítor Melícias, Torres Vedras, 2001
O Despacho 28/ME/91, de 28 de Março, oficializa a geminação entre a Escola Padre Vítor Melícias (Torres Vedras – Portugal) e a Escola Pré-secundária de Nossa Senhora de Aitara (Soibada – Timor-Leste). A geminação foi proposta pelo então Comandante Xanana Gusmão durante a visita à escola torriense. Constituiu-se um programa de geminação e intercâmbio com os objetivos de criar laços de amizade e cooperação entre alunos, professores, pais e funcionários das duas escolas; conhecer e dar a conhecer as localidades e países envolvidos; colaborar na superação de algumas dificuldades materiais através da oferta de materiais escolares e outros; contribuir para a aprendizagem da Língua Portuguesa em Timor e conhecimento do Tétum em Portugal.
No âmbito deste projeto já ocorreram diversos eventos como a visita de D. Ximenes Belo (2001); visita de D. Basílio do Nascimento (2002); visita de uma delegação da nossa escola a Soibada (2004); visita de alunos e professores timorenses à Escola Padre Vítor Melícias (2005, 2007, 2008); organização da Corrida por Timor (Parque da Várzea, Torres Vedras, 2010); última visita a Soibada (18 de Agosto a 31 de Setembro de 2011).


* * *


Os participantes na “Aventura”







(da esq. para a dt e de cima para baixo)
Chico, Ana Assunção, Teresa Carmo, Valente da Cruz, Rino, António Pedro,
Daniel Abreu, Lurdes Martins, Salomé Abreu e Ana Cláudio

O Mestre Valente da Cruz foi um inestimável anfitrião que tudo fez para que nada nos faltasse nesta visita inesquecível.
O Chico e o Rino, os motoristas, mestres do volante, em quem confiámos e que nos guiaram por caminhos inacreditáveis!

 * * *


A língua portuguesa é língua oficial de Timor Lorosa’e, embora pouco ouvida. A proibição do seu uso durante a invasão indonésia provocou um grande retrocesso na sua divulgação.

* * *



Timor Lorosa’e - A ilha do Sol Nascente
texto de João Pedro Mésseder

Era uma vez uma ilha verde com forma de crocodilo onde – diziam os antigos – o sol nascia… e onde um pequeno povo sereno e sábio quis um dia construir um país – e votou pela independência. Vieram então soldados estrangeiros, os mesmos que, vinte e quatro anos antes, tinham ocupado a terra e roubado ao povo o seu destino. E, ao serviço de chefes poderosos, tinham matado e massacrado, apagado o sol e trazido com eles uma noite que parecia longa, tão longa como a morte.
E mais uma vez queimaram e mataram e massacraram. E o povo fugiu para as suas montanhas cor-de-mãe.
Passaram dias e dias que pareciam meses. Quando o mundo já não suportava a dor e a vergonha de pouco ou nada se fazer, e depois de muitos saírem à rua nos seus países a gritar e a chorar pelo pequeno povo… alguns senhores que governam o mundo e dão ordens aos generais decidiram enfim enviar soldados para a ilha do sol nascente.
Chegaram a 20 de Setembro muitos homens com suas armas. Revolveram a terra cor de sangue, fizeram sair os soldados do mal e disseram que a terra era do povo. A pouco e pouco, ainda a medo, a gente desceu das montanhas. Velhos e meninos, homens e mulheres regressaram, doentes e famintos, às cidades, às pequenas aldeias, aos campos do paraíso verde, arruinado. Do nada recomeçaram então a construir um país novo. E o sol voltou a nascer.   



* * *



No paraíso verde de um país em construção, a educação é a base para um crescimento sustentável.  
         

11.10.11

CREPUSCULARES E UM POEMA


Chamusca, fim da tarde - Outubro 2011
Fotos © Méon

O teu amor é uma ponte de passagem
para este aquém

E a ternura - trave inconsútil    esteio sobre esteio -
é a memória desta crista alta por alegres veios

Como um telhado bem preso
aqui nasci por ti    aqui o chão me tem

É aqui por ti que o corpo entorna
a palavra espessa que ali vem

(João Rui de Sousa, Cintilações)

4.10.11

O AZEITEIRO



É uma das grandes figuras da nossa História: Alexandre Herculano.
Veja-se, agora, o delicioso apontamento retirado DAQUI:


«Alexandre Herculano, poeta, romancista, historiador e mestre pela retidão de carácter que todos os amigos enalteciam era igualmente o mais famoso dos agricultores. Na época em que o azeite, como Bordalo refere, foi combustível para candeias, Herculano inventou o mais fino «azeite de prato». Tratou de o pôr à venda em Lisboa, na mais famosa mercearia do Chiado elegante: o Jerónimo Martins. Ganhou uma medalha na Exposição Universal de Paris e o hábito de se ver caricaturado vestido de azeiteiro, com lata e funil, desprezando intelectuais seus pares em direção à porta do merceeiro. Gomes de Brito conta como foi apresentar Bordalo Pinheiro a Herculano, na Livraria Bertrand do Chiado, em 1870. O caricaturista vinha pedir autorização para publicar o desenho mais tarde célebre, e Herculano mostrou-se envergonhado mas complacente: «Sim, senhor; sim, senhor!» Que estava parecido e que não ofendia o seu «carácter moral». Azeiteiro, pois, e sem problemas em o reconhecer, pelo que no «Álbum de Costumes Portuguezes» (editado por David Corazzi em 1888), é Columbano quem o retrata, utilizando como base a fotografia de um azeiteiro de rua, cujo rosto substitui pelas feições do historiador. A fotografia que serviu de base à aguarela e à estampa era desconhecida. Foi desvendada no volume IX da “Lisboa Desaparecida”.»

26.9.11

LUZ DE SETEMBRO

Caminho do Barro
Foto (C) Méon


CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão.

- Cecília Meireles -


21.9.11

O MUNDO FICOU MAIS ESCURO



Morreu hoje Júlio Resende.
A delicadeza e a luminosidade da sua paleta tornavam o nosso mundo mais hábitável.
Fica a sua obra.







4.9.11

O HOMEM É ÁGUA

Rio Tejo em Alpiarça | Setembro 2011 | Foto © Méon


«O homem é feito de água. Seria uma estátua incolor e quase trans­parente, quase invisível, se não fosse a armação de pedra em que se firma e as várias imagens misteriosas reflectidas na sua superfície.»
                                                                                    *
«O homem é feito de água; e por isso toda a paisagem vizinha existe nele, a vizinha e a remota, e as nuvens que passam por cima e as estrelas do céu e outras estrelas ainda. O homem é feito de água, uma pintura a água: um prodigioso esboço do Mistério, visto por dentro; por fora, um banal retrato a óleo. Banal? Sim, porque banalidade quer dizer revelação. A banalidade é uma obra terrível dos nossos olhos... Quem espreitam por eles é o Demónio, o inimigo das almas. Quem vê em nós é um demónio, e quem ouve é um anjo.»

 (Teixeira de Pascoaes, O BAILADO, Assírio & Alvim, Lisboa, 1987) 

3.9.11

O Silêncio dos Livros - WOOK

Título: O Silêncio dos Livros - WOOK
Link: http://www.wook.pt/ficha/o-silencio-dos-livros/a/id/195078

Regressar a um autor que ensina a mergulhar em águas profundas.

28.8.11

PÁGINAS ESQUECIDAS - 2




O tema deste soneto é o mesmo do poema de Soares de Passos, do post anterior. O tratamento, porém, é bem diferente.

PARA ALÉM

 É para além de tudo o que alcançamos
que se adivinha enfim esse horizonte,
onde dormem os sonhos que beijamos
e a nossa sede tem a única fonte.


Há para além do céu ainda mais céu
se houver ânsia no olhar que o reflectir:
o céu mais vago e fundo é só um véu
que a alma rasga pra poder seguir...


É para além do amor que me adormece
nesta loucura doce de te olhar
que o coração pressente o que é amar.


Além da vida há vida, além é o norte:
e quando mortos, ainda a nossa prece
levantará as mãos além da morte.


António Patrício

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ANTÓNIO PATRÍCIO*
(Porto, 1878 - Macau, 1930)

Formado em Medicina, António Patrício enveredou pela carreira diplomática, ocupando lugares de cônsul, ou desempenhando missões em cidades de diversos países e continentes - Cantão, Manaus, Brémen, Atenas, Istambul, Caracas e Londres. Estava a caminho de uma missão na China quando morreu.
De formação e sensibilidade aristocrática, aderiu ao ideário republicano e democrata.
Deixou uma assinalável obra literária, com expressão na poesia, no teatro e no conto. "Toda a sua obra literária é percorrida por um grande frémito  espiritual, em que a busca do absoluto no amor, o vitalismo nietzschiano e a ideia do sacrifício iniciático, o sentimento tão português da saudade, se projectam nos grandes mitos da nossa história."
Visíveis, também, as marcas da sensibilidade literária da época, o simbolismo e o decadentismo.
As suas obras estão publicadas na Assírio & Alvim:

POESIA COMPLETA, 2ª ed, 1989
SERÃO INQUIETO ( contos), 1979
TEATRO COMPLETO, 1982

* A partir do DICIONÁRIO DA LITERATURA PORTUGUESA, org. e dir. de Álvaro Manuel Machado, editorial Presença, Lisboa, 1996; entrada: Patrício, António, texto de Urbano Tavares Rodrigues.