27.10.12

CHAFARIZ - ENFIM RESTAURADO

Desta vez a página LUGAR ONDE no BADALADAS foi dedicada ao monumento emblemático de Torres Vedras.


Durante alguns meses vimo-lo entaipado e rodeado do estaleiro de obra.

Finalmente apareceu em todo o seu esplendor.




Passemos então à página:



Em letra corrida, para facilitar a leitura:




CHAFARIZ – ENFIM RESTAURADO

Com o recente restauro do Chafariz dos Canos o município torriense redime-se de um longo período de menosprezo por aquele que é, sem dúvida, o seu mais precioso monumento histórico.
São sete séculos a proporcionar um bem essencial – a água – configurados na melhor arquitectura medieval, que se oferecem ainda hoje ao nosso deslumbramento, perante esta obra pública de parceria régia e municipal do tempo em que a municipalidade se afirmava na construção de Portugal. Um monumento assim tão rico de implicações históricas e sociais e tão raro valor artístico só merecia ser dignificado.
Por isso deve merecer-nos a maior gratidão o empenho posto no seu restauro da histórica fonte gótica assim como a devolução do protagonismo que lhe era devido naquele espaço, retirando-lhe da frente todo o ruído que se interpunha à sua leitura integral.


NO ENTANTO…

No entanto, se o essencial foi feito e por todos deve ser reconhecido, alguns aspectos, certamente corrigíveis, se nos afiguram como menos conseguidos.
É provável que, por agora, estranhemos o ar de cara lavada ou o aspecto de “pó de talco” que parece envolver toda a construção, consequência da limpeza da pedra e do tratamento das argamassas. Mas o tempo se encarregará de lhe devolver uma “patine” mais familiar. Pena é que a solução final da pintura não mantivesse a cor amarelo ocre
na corda manuelina e no friso superior do muro, que longe de ser um devaneio popular, constitui característica da a”arte mudéjar” que inspira toda a parte superior do conjunto – o coroamento de merlões e coruchéus.
Quanto ao arranjo do largo, pesa um pouco a sensação de vazio, talvez devida à uniformidade do piso, que assim se amplia visualmente. Mas estranho mesmo é a opção por formas e materiais pouco conviventes com o monumento (embora saibamos que é essa a intenção) como é o caso do enorme banco de mármore branco e o candeeiro preto, a um dos cantos. Também aquela árvore ali plantada, frente ao passo, nos aparece como forçada, sem função nem contributo estético que se veja.
A ideia do espelho de água justifica-se, conjugando memória histórica do tanque e valorização cénica. Mas não precisava de ocupar todo o espaço do pequeno largo (e ninguém se lembrou dos pombos!).

E porque não reintegrar os pilares esculpidos com “golfinhos” que eram parte da estrutura do tanque e se encontram desterrados em frente à capela de S.João?




Embora se trate de pormenores, sempre remediáveis, são aspectos que não contribuem para a criação de uma atmosfera de intemporalidade que, quanto a nós, deve presidir a intervenções em espaços carregados de passado.

José Pedro Sobreiro




* * *


No princípio do século XX era o formoso tanque com seu gradeamento em ferro forjado apoiado em pilares esculpidos (golfinhos), que estendia ao gado muar a generosa dádiva do chafariz, onde a população se abastecia.





Depois, cerca dos anos 40, veio o progresso e a higiene, foram-se os burros e vieram os automóveis...! E o tanque foi à vida.




Nos anos setenta retirou-se o “stand” mas, para não ficar muito vazio, embelezou-se com um pequeno jardim, com bancos de costas voltadas para o monumento, que ficava lá atrás.





Hoje, finalmente, o monumento respira, restaurado, ocupando o seu lugar na praça, oferecendo-se na sua beleza à nossa admiração de monumento singular.

* * *

UM TRABALHO NOTÁVEL

Em 2 de Junho de 2006 o BADALADAS trazia na primeira página, em grandes destaque, uma fotografia do Chafariz dos Canos com o título “Chafariz perto da ruína”. Na pág. 3 a jornalista Ana Alcântara dava conta do alerta lançado pela Associação para a Defesa e Divulgação do Património de Torres Vedras - o tempo e a incúria dos homens estavam a arruinar, de modo quase irreversível, aquele monumento, de características únicas no país.
Seis anos passados, aquela Associação saúda calorosa e publicamente, o trabalho de restauro que acaba de ser realizado. E sublinha: ele resulta de uma escolha acertada da Câmara Municipal que o adjudicou a uma das melhores empresas do sector, com valiosos trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro, a empresa Nova Conservação, com sede em Lisboa (www.ncrestauro.pt).


24.10.12

Zorba The Greek




Um filme a recordar. Saiu há muito dos circuitos comerciais. Perdura a memória de Anthony Quinn e das suas gargalhadas perante os desastres...

23.10.12

AMOR EM TEMPO DE CRISE





O programa PRÓS E CONTRAS  de ontem, na RTP 1, passou-me despercebido. Valeu-me a gravação que pude ver hoje aqui: http://www.rtp.pt/play/p40/e96563/pros-e-contras/263860

Para além da vantagem enorme de ter passado ao lado da crise como tema - recorrente e gerador de tédio, tantas são as vezes que ali se fala dele - o programa de ontem atreveu-se a falar de Literatura e de Cultura. Durante duas horas! O que levou Daniel Sampaio a iniciar a intervenção lembrando justamente que a crise pode ser ultrapassada pelo lado da Cultura.
O pretexto foram os cento e cinquenta anos da edição do AMOR DE PERDIÇÃO, de Camilo C. Branco.
Duas horas de boa e substancial conversa em que também participaram alunos do Ensino Secundário - na segunda parte do programa.

Duas questões centrais estiveram presentes:
1 - Camilo ainda é um autor actual? Qual a sua importância na nossa Literatura?
2 - Como é que os jovens de hoje vêem Camilo? Lêem-no?

O painel de convidados era de primeiro plano: Ministro da Educação, Nuno Crato; Vasco Graça Moura, director do CCB; Fernando Pinto do Amaral, director do Plano Nacional de Leitura; Daniel Sampaio; Maria Helena Buescu e o director da Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide.

Por último refira-se que Camilo e o Amor de Perdição estarão em destaque no Centro Cultural de Belém entre 22 e 27 de Outubro. Veja-se AQUI.

16.10.12

OLÁ, AGUSTINA




90 anos! Bonito!
Posso dar-lhe os PARABÉNS?
Bem sei que já cá não está o seu espírito traquina e labiríntico. Resta a pobre carcaça do corpinho velho, decrépito. Mas permanece a obra enorme que nos legou.
Obrigado, Agustina!

«Povo.
Um povo faz-se com muitas lágrimas; elas são a experiência dos seus erros e a espécie de sabedoria que se acumula sem ser nos livros. Um povo não é um poema épico, nem um homem, nem mesmo uma forma de poder. É uma súplica melancólica através dos tempos, e que custa muito esforço; uma súplica digna de res­peito porque se dirige, não à internacionalização da vida, não aos planos de exportação e de produção, mas a um imperativo que ponha fim ao egoísmo de todos. Um povo não verte lágrimas pací­ficas; elas são sempre revoltadas. E inútil dizer-lhe que pode nego­ciar melhor se se converter em massa humana; um povo tem uma personalidade mítica que é indiferente à natureza das massas.»
Agustina Bessa-Luís - DICIONÁRIO IMPERFEITO, Guimarães Editores, Lisboa, 2008

Para conhecer Agustina: documentário NASCI ADULTA, MORREREI CRIANÇA. Aqui:
http://vimeo.com/50423905

12.10.12

MO YAN - Nobel da Literatura 2012

Foto :
http://entertainment.time.com/2012/10/11/chinese-novelist-mo-yan-receives-nobel-prize-but-is-he-politically-correct/

É um nome que soa bem.
E mais uma vez o Prémio Nobel da Literatura cumpre a missão que lhe reconheço como mais apropriada: chama a atenção para um escritor pouco conhecido e com obra feita - reconhecida por especialistas que a recomendam.

Pormenores AQUI e AQUI.

7.10.12

PRÉMIO "MÁXIMA" PARA MARIA TERESA HORTA



De Diário Digital

Maria Teresa Horta, com «As Luzes de Leonor», editado pela Dom Quixote, foi a grande vencedora do Prémio Máxima de Literatura 2012, que tem como objectivo «destacar e divulgar a literatura portuguesa no feminino».

«Um romance sinfónico sobre a Marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal, neta dos Marqueses de Távora, uma figura feminina ímpar na história literária e política de Portugal. A grande escritora Maria Teresa Horta, persegue-a e vigia-a nos momentos mais íntimos, atraída pela desmesura de Leonor, no seu permanente conflito entre a razão e a emoção. Acompanha-a no voo de uma paixão, que seduz os espíritos mais cultos da época, o chamado "século das luzes", e abre as portas ao romantismo em Portugal. Um maravilhoso e apaixonante romance sobre a extraordinária e aventurosa vida da Marquesa de Alorna».
Esta é a sinopse de «As Luzes de Leonor», vencedor do Prémio Máxima de Literatura 2012, que, este ano, comemora a sua 20.ª edição. É a segunda vez que Maria Teresa Horta é distinguida, visto que, em 2010, recebeu o Prémio Máxima Vida Literária pela sua obra «Poesia Reunida».
O júri, constituído por Maria Helena Mira Mateus, Leonor Xavier, António Carvalho, Valter Hugo Mãe e Laura Luzes Torres (presidente), atribuiu ainda os seguintes prémios:
Prémio Ensaio
«A cada um o seu lugar – A política feminina do Estado Novo», de Irene Flunser Pimentel (Círculo de Leitores e Temas e Debates).
Prémio Especial do Júri
«Biografia de Lisboa», de Magda Pinheiro (Esfera dos Livros)

6.10.12

Revista LER - Outubro 2012




Aí está o número 117, de Outubro 2012.
Muito para ler, vejam-se os destaques da capa.

A figura do mês, Rubem Fonseca, Prémio Camões 2003. Pretexto: a publicação pela Sextante de JOSÉ, «novela» autobiográfica.

Com a devida vénia, transcrevo da pág. 39 um pedaço da prosa de Rubem F. Deliciosa.



O ENSINO DA GRAMÁTICA
Rubem Fonseca

Você está triste?
Não sei. Talvez.
Tristeza dá câncer, sabia?
Pensei que dava verruga no nariz.
Estou falando sério.
Ultimamente você vive falando sério.
Quando eu brincava você reclamava.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Você colocou vírgula depois de mar.
Estou falando, não estou escrevendo.
Mas na sua fala tinha uma vírgula depois de mar?
Não. Você está fazendo uma análise sintática e mor­fológica da frase?
Na frase há o uso da figura de sintaxe chamada elipse.
Chega. É por coisas assim que eu não quero mais vi­ver com você.
Porque eu sei gramática e você não?
Entre outras coisas.
Não gosta mais de foder comigo?
Usarei uma elipse aqui. Ou melhor, uma zeugma.
Zeugma é um substantivo masculino.
Um zeugma, então.
Significando?
Que é fácil subentender.
Subentender por que você não gosta mais de foder comigo?
Precisamente. Pensa.
Estou pensando e não consigo.
Pensa em nós dois na cama.
Você sempre se manifesta pomposamente na hora do orgasmo.
Pomposamente? Explica.
Exibição de magnificência sensual. Mímica.
Mímica?
Mímica. Muito bem-feita.
Vou fazer as malas. Diga: já vai tarde.
Já vai tarde. E esses olhos úmidos de lágrimas?
Mímica.
Acho que vou ficar mais um pouco.
Um pouco?
Uns dias.
Dias?
Pensando bem, uns meses. Mas você me ensina gramática durante esse tempo.
Então deixa de ficar triste.
Tenho uma razão. Já estou com câncer.
Jura?
Juro. Pulmão. O cigarro.
Meu amor, vou cuidar de você.
Mas antes me ensina gramática.

Texto extraído de Axilas & Outras Histórias Indecorosas, a mais recente coletânea de contos de Rubem Fonseca (n. 1925), que a Sextante publica este mês em simultâ­neo com José, repetindo assim a fórmula de lançamento utilizada pela Nova Fonteira no Brasil, em 2011.


28.9.12

GRANDE NOTÍCIA!



Revista Colóquio /Letras, Julho/Dezembro de 2000, número especial dedicado ao poeta João Cabral de Melo Neto, assinalado pela sobre-capa de Tiago Manuel que assina também as ilustrações do interior.


Assim mesmo, com chamada ao título: grande notícia!
A revista COLÓQUIO Artes e Letras da Fundação Gulbenkian, tem um sítio onde, desde 24 de Setembro, é possível consultar todos os números publicados. Do blog O Bibliotecário de Babel, do jornalista do Expresso José Mário Silva, retirei a nota de imprensa divulgada pela Fundação Gulbenkian:

«Os 61 números da revista Colóquio, Revista de Artes e Letras (1959-1970) vão ficar disponíveis em versão digital a partir de 24 de setembro, num site precioso para todos os investigadores, nacionais e estrangeiros. Nas suas páginas podem encontrar-se textos de praticamente todos os grandes nomes do ensaio, da crítica, da arte e da literatura da segunda metade do século XX.
Em 1970, a revista seria desdobrada em duas publicações: Colóquio/Artes e Colóquio/Letras.
No primeiro editorial da Colóquio, Revista de Artes e Letras, pode ler-se: «Não são os iniciadores que justificam a necessidade e a utilidade de uma revista, artística ou literária, ou fazem a sua fama, mas sim os seus colaboradores e a continuidade e regularidade da sua publicação. / Lançando esta revista — Colóquio —, a Fundação Calouste Gulbenkian julga concorrer com mais um poderoso instrumento para a realização dos seus fins culturais na sociedade portuguesa. Assim se procura continuar a cumprir, sob mais uma modalidade, o pensamento do Fundador, que soube em vida — e quis que a sua obra continuasse após a morte — fomentar iniciativas ou auxiliar empreendimentos susceptíveis de dilatar as fronteiras do espírito humano.»
Aquilo que desde o início definiu o projeto de Colóquio foi a diversidade e a pluralidade de abordagens «sem dependência de escolas, de sectarismos ou de proselitismos», procurando afirmar-se como «um espelho da sociedade do nosso tempo». A revista dedica ensaios a todas as áreas da Arte e da Literatura, não exclusivamente portuguesas. Mas se há que encontrar matéria de base para uma história da arte em Portugal, desde o lado mais conservador, passando pelos movimentos modernistas (sobretudo a obra de Almada e o surrealismo), até aos artistas que se revelam na década de 60 do século XX, é nesta revista que ela se manifesta.»

A revista COLÓQUIO é uma publicação de referência desde há muitos anos, tanto pela qualidade dos colaboradores como pela excelência do aparato gráfico. Guardo algumas que folheio de vez em quando com enorme prazer. Os grafismos e a edição de textos raros - por vezes em fac-simile - de grandes escritores portugueses, estão no patamar inultrapassável da perfeição. 
A edição digital retira, é claro, o prazer de folhear, sentindo o cheiro e tateando a textura do papel. Mas não esqueçamos que os números agora digitalizados eram inacessíveis a quem não frequentava a biblioteca da Fundação em Lisboa. A partir de agora estão muito perto de nós. Assim...por exemplo.


Sim! Grande notícia!

24.9.12

CALMA AÍ, SR. LA FONTAINE !


As Cigarras e as Formigas



Irmãs Cigarras sobre um cogumelo
Cantavam árias, davam recitais
e entravam nos Serões para animais,
ao microfone de um raminho belo...

Quando chegou o inverno, e do castelo
das nuvens desabaram vendavais,
pobres Cigarras, sem cantarem mais,
pediram à Formiga, em tom singelo:


- Ajude-nos um pouco, boa amiga!
- Vão bailar – respondeu-lhes a Formiga.
Deixem-me em paz com essa choradeira!

Sê previdente, mas sê bom também
e vê que a arte é como um sol que vem  
encher de luz a nossa vida inteira.

Adolfo Simões Müller, 1950






J. M. Ramos de Almeida, na sua intervenção no XIII Encontro de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian, em Novembro de 1998, conta-nos a propósito desta fábula um episódio verídico:

“ Uma mãe contava-a aos seus dois filhos e, chegada a história ao fim, quando a formiga instalada na sua casa guarnecida de alimentos responde à cigarra: «Cantaste...pois bem, agora danças», as crianças perguntaram: «E depois?» Então, a mãe, não querendo atraiçoar o pensamento do autor, respondeu: «Depois, a cigarra morreu!» Nesse momento, as crianças desataram num choro desabalado e exigiram outro final: que a formiga fosse generosa e hospitaleira, oferecesse a sua casa e a sua mesa à cigarra e que esta sobrevivesse.

Não sei se aquelas crianças foram ao ponto de, intimamente, exigirem também da cigarra uma meditação arrependida acerca da vida errada que levara durante o Verão, mas a verdade é que este epílogo feliz é indiscutivelmente muito mais moral e educativo que o de La Fontaine”.

Gravura de Gustave Doré, 
ilustração da fábula A CIGARRA E A FORMIGA

21.9.12

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2012



ACTIVIDADES EM TORRES VEDRAS



PASSEIO DA MEMÓRIA
29 Set – 16H00 – Museu Municipal,
com António Augusto Sales

Com o passar dos anos todos nós vamos recolhendo e colecionando memórias. Cada um de nós grava tudo, fotografa cada cena, armazena a informação que o meio nos vai fornecendo. Estas memórias ficam registadas nos mais diversos suportes com uma minúcia de detalhes, que nenhuma memória biológica fornece.
 António Augusto Sales é o autor de um livro que todos os torrienses merecem conhecer: Os Guardadores do Tempo. 






Publicado pela Câmara Municipal de Torres Vedras na Colecção Linhas de Torres, em 2007, é um repositório de memórias do século XX com incidência na vida cultural torriense, um livro repassado de afectos e emoções, onde se convocam pessoas e lugares que parecem renascer numa prosa assumidamente subjectiva e não raro tocada de ternura e alguma melancolia. Neste PASSEIO DA MEMÓRIA todos estamos convidados para um encontro com o autor que nos acompanhará pelo Centro Histórico e conversará sobre este livro belíssimo.




MEMÓRIAS EM PEDRA
30 Set – 16H00 - Visita guiada à Igreja de Nª Srª da Graça
com  J. Moedas Duarte

A Igreja da Graça é o maior templo da cidade de Torres Vedras. Faz parte do grande edifício do Convento onde hoje está o Museu Municipal. A imponência da sua nave única, realçada pela luz natural, é enriquecida pelos belíssimos retábulos dos seus altares e pelos pormenores históricos que o tempo foi acumulando. Caso da estatuária, azulejaria, telas e lápides sepulcrais, bem como os túmulos de S. Gonçalo de Lagos. É sobre as memórias tumulares que incidirá a visita que propomos, no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2012, como se explica noutro texto desta página, PEDRAS QUE FALAM.




WORKSHOP DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO                                                              
               28, 29 e 30 Set | 9H30 - 13H00 / 14H00 – 17H30
sob a orientação de técnicos do Instituto de Artes e Ofícios da Universidade Autónoma, aberto ao público mediante marcação prévia, mínimo de 10 participantes.

O Instituto de Artes e Ofícios tem uma Escola aberta a todos os interessados na zona do Castelo, em Torres Vedras, onde ministra Cursos de Conservação e Restauro de peças do nosso Património. Com esta acção pretende sublinhar a importância da participação de todos na defesa e conservação das obras de Arte que fazem parte da nossa memória histórica, garantindo a sua preservação para o futuro.



  DIA DE VINDIMA TRADICIONAL                                                      
          28 Set | 9H00 – 17H00 – Quinta do Casal do Castelão
Destinatários: alunos dos 3º e 4º anos do 1º ciclo

A atividade proposta permitirá aos jovens participantes a experimentação da vindima tradicional com a apanha e pisa da uva no lagar.




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PEDRAS QUE FALAM
IGREJA DE Nª SRª DA GRAÇA

Neste templo de Torres Vedras, Imóvel de Interesse Público, podemos encontrar um conjunto significativo de memórias em pedra, assim como os testemunhos materiais dessa figura marcante da religiosidade torriense que foi S. Gonçalo. São marcas do tempo histórico que permitem uma leitura apaixonante das mentalidades e mundividências de outras épocas.

Leia-se a inscrição de uma pedra tumular da Capela-mor da Igreja da Graça:

Esta Capellamór é de Jeronymo da Rocha Soares, Fidalgo de S. Magestade, Escrivão de sua Matricula, e de D. Fillippa Botelho, sua mulher, que dotaram 71$000 réis de juro das Alfândegas, e 100$000 réis de juro na Casa da India por uma Missa quotidiana.

Outra inscrição, talvez a mais expressiva do conjunto, na capela de S. Nicolau Tolentino, a primeira colateral do lado do Evangelho:

Esta Capella é de Antonio Godinho da Cunha, a qual houve, e fez para sepultura de D. Maria de Azevedo sua mulher, e para n'ella se enterrar, e as mais pessoas que elle ordenar. Tem obrigação os Padres d'este Convento dizerem n'ella para sempre Missa quotidiana, com responso pela alma de D. Maria, e de Antonio Godinho, e de Antonio d’Oliveira da Fonceca, e Violante Cabral d'Azevedo, pae e mãe da dicta D. Maria de Azevedo, que assim o mandou em seu testamento, deixando fazenda, que o dicto convento possue para a dicta obrigação. São mais obrigados a dizerem todos os primeiros sabbados de cada mez Missa cantada a N. Senhora, com o seu responso, e um Officio de nove lições, cada anno, em 28 de Janeiro, era de 1626, dia em que falleceo a dicta D. Maria, por sua alma, e de Antonio Godinho da Cunha, seu marido, que deu para esta obrigação foros perpétuos de dinheiro, e mais 4$2O0 cada anno para azeite da alampada d'esta Capella, e fabrica d'ella, os quaes se não poderão gastar em outra cousa, como tudo consta das Escripturas feitas nas Notas do Tabellião Antonio dos Rios, nos annos de 1627 e 1628. Pater Noster por estes defunctos.

O que são “capelas”? Como chegaram até nós? Que significado têm estes testemunhos históricos? Que relação têm com a vivência religiosa da época em que foram feitos e com a de hoje?
Estes são os pontos de partida para uma visita guiada, aberta a toda a população, dia 30 de Setembro,  das 16H00 às 17H00.




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O QUE SÃO As Jornadas Europeias do Património

«São uma iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, envolvendo cerca de 50 países, que tem por objetivo a sensibilização dos cidadãos para a importância da salvaguarda do Património. Neste sentido, cada país elabora, anualmente, um programa de atividades a nível nacional, a realizar em Setembro.
A Direção-Geral do Património Cultural, entidade responsável pela coordenação do evento a nível nacional propõe, para as Jornadas Europeias do Património de 2012, o tema “O Futuro da Memória”, com o qual pretende promover a aproximação do público ao património cultural, no seu sentido mais amplo, realçando a sua importância enquanto memória e documento da história e do desenvolvimento das sociedades e também o seu papel para a construção do futuro.» (texto do site da DGPC - http://www.igespar.pt/pt/agenda/5/2505/  Programa Nacional: http://www.igespar.pt/media/uploads/jep2012/ProgramaJornadasEuropeiasPatrimonio2012.pdf )
Em Torres Vedras estas Jornadas têm a participação conjunta do Museu Municipal Leonel Trindade, Associação do Património de Torres Vedras e Instituto das Artes e Ofícios.


Publicado no BADALADAS em 21 Set 2012


18.9.12

PORTUGAL - Luís Góis e o Quinteto de Coimbra - Fado Triste



Na despedida de Luis Goes.
Homenagem à minha AmigaDaBeira, tricana de Coimbra.

Homem Só Meu Irmão



No dia em que Luis Goes nos deixa para sempre...
oiço, comovido, uma das mais belas baladas que criou.
Adeus, Luis Goes!

16.9.12

CRISTOVAM PAVIA ( 1933 - 1968 )



EPÍGRAFE

Um barco sem velas
E sem rumo
Singrando um mar de de fumo,
Mas descobrindo estrelas...

Nisto me resumo.


***

POESIA

Tocado de Humildade,
Natural e esquecido,
Assim hei-de viver... E há-de
Ser doce e merecido
Todo o tempo vivido.


in: POESIA, 
Publicações Dom Quixote
Lisboa, 2010

14.9.12

VELHOS AMIGOS







Velhos e fièis amigos, os nossos livros. Que envelhecem connosco, vão ficando amarelinhos, o papel muito seco... Como a nossa pele...

26.8.12

LER JÚLIO VERNE, HOJE - Publicado no jornal BADALADAS em 24-08-2012





LIVROS QUE FAZEM BEM À SAÚDE

«Saio sempre de um livro de Júlio Verne com a sensação de que estou mais feliz e mais completo» - dizia-me um amigo com quem durante alguns anos partilhei livros e leituras. Ainda hoje lhe dou razão. Verne é um autor intemporal. Mais de cem anos passaram sobre a sua morte e continua a fascinar novos leitores. Reedições surgem por todo o mundo.
O que nos atrai é o que poderíamos designar por imaginação profética: Verne criava possíveis mundos futuros a partir dos dados de que dispunha na altura em que escrevia. Isto é: em lugar de realidades fantásticas, mundos paralelos, personagens irreais, ele projectava inventos e equipamentos a partir da tecnologia e dos dados científicos que estudava cuidadosamente. Foi assim que anunciou com muitas décadas de antecedência coisas que se tornaram usuais para nós: ar condicionado, motor de explosão, calculadoras, sistemas mundiais de comunicação, televisão, arranha-céus, comboios de alta velocidade, sistemas de alarme e muitos outros. Para já não falar nos mais conhecidos: submarinos, viagens à Lua, uso de balões de hidrogénio ou exploração das regiões polares.
Mas tudo isto era apresentado em trama romanesca, histórias com personagens e situações bem engendradas, onde não faltavam os heróis e os vilões, o humor e a ironia, as catástrofes e as vitórias, o amor e o heroísmo. Júlio Verne convoca vastíssimos conhecimentos de Geografia, Etnologia, História, Ciência Naturais, Física, Economia e com eles enriquece as páginas dos seus livros de aventuras sem se tornar fastidioso, num estilo simples, rigoroso e eficaz.
Não se procure na sua obra profundezas psicológicas, dramas pungentes, personagens densas ou complexas análises sociológicas. Isso, outros fizeram muito melhor. O que encontramos em Júlio Verne é uma escrita que nos dispõe a enfrentar a vida com optimismo e nos ajuda a acreditar na Humanidade e no triunfo do Bem. Por isso dizemos que os seus livros fazem bem à saúde.

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JÚLIO VERNE (1828 – 1905). Escritor francês, autor de mais de cem livros, considerado o pai da moderna ficção científica. Segundo estatísticas da UNESCO, até hoje é o escritor cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas. Livros mais populares: Cinco Semanas em Balão, Viagem ao Centro da Terra, Da Terra à Lua, Vinte Mil Léguas Submarinas, A Volta ao Mundo em 80 Dias, A Ilha Misteriosa, Miguel Strogoff.


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                                                                DOIS LIVROS EM DIÁLOGO

Aparentemente, Júlio Verne  e Júlio Cortázar têm em comum apenas o nome e o serem escritores. Mas têm muito mais para quem os lê agora.
Revisitando A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS de novo embarquei na corrente imparável daquela viagem louca. Um inglês impassível na frieza com que olha o mundo e um criado francês, temperamental e entusiasmado pela aventura, dão a volta ao mundo para provarem que "a Terra diminuiu, porque a percorremos agora dez vezes mais depressa do que há cem anos". De caminho correm contra o tempo para ganharem uma aposta de vinte mil libras. Será que conseguem?
Em Cortázar(1914-1984) - A VOLTA AO DIA EM 80 MUNDOS - encontro o humor e a ironia,  aquele modo de zombar das "grandes tartarugas arroxeadas", os homens solenes que se levam a sério como monólitos imóveis.
Nos dois, atrai-me a frescura da viagem - seja pelas geografias longínquas ou pela memória de gentes, leituras e acontecimentos - e a capacidade de nos encantarem com histórias estranhas.


É certo que Cortázar explora o fantástico, o non sense, a provocação criadora, elementos de escrita que não encontramos em Verne. Mas um e outro tocam-se na ternura do olhar sobre a condição humana e no empenhamento na libertação do Homem, seja pelo empenhamento político (Cortázar), seja pela confiança nas soluções tecnológicas que melhorem as condições de vida da Humanidade (Verne).
Duas boas experiências de leitura.  




















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CITAÇÕES DE JÚLIO VERNE


Tudo o que uma pessoa pode imaginar, outras poderão fazê-lo na realidade.

Podemos violar as leis humanas mas não as da natureza.

A ciência compõe-se de erros, que por sua vez são passos para a verdade.

Quando se trata de destruir, todas as ambições se aliam facilmente.

Nunca se fez nada grande sem uma esperança exagerada.

Não há nada impossível, há só vontades mais ou menos enérgicas.



13.8.12

80 DIAS, 80 MUNDOS


Aparentemente, Júlio Verne  e Júlio Cortázar têm em comum apenas o nome e o serem escritores. Mas muito mais para quem os lê agora.
Revisitando A VOLTA AO MUNDO de novo embarquei na corrente imparável daquela viagem louca. Um inglês impassível na frieza com que olha o mundo e um criado francês, temperamental e entusiasmado pela aventura, dão a volta ao mundo para provarem que "a Terra diminuiu, porque a percorremos agora dez vezes mais depressa do que há cem anos". De caminho correm contra o tempo para ganharem uma aposta de vinte mil libras. Será que conseguiram?

Em Cortázar - A VOLTA AO DIA EM 80 MUNDOS - encontro o humor e a ironia de Verne. Aquele modo de zombar das "grandes tartarugas arroxeadas" que são os escritores solenes que se levam a sério como monólitos imóveis.
Nos dois, encanta-me a frescura da viagem, seja pela geografias longínquas ou pela memória de gentes, leituras e acontecimentos.

Viajemos, então.




11.8.12

AMADO JORGE, CENTENÁRIO




Descobri-o em OS VELHOS MARINHEIROS, edição que trazia acoplado o conto QUINCAS BERRO D´AGUA, esse avatar do futuro Vadinho de Dona Flor.
A alegria da descoberta!

Agora que o Brasil cresce e se torna país maior, volto a este amado escritor do povo. OS SUBTERRÃNEOS DA LIBERDADE falaram-me do clandestino Luís Carlos Prestes e a Censura de Salazar nada poude contra ele. Conheci depois OS CAPITÃES DA AREIA, meninos abandonados que nunca foram meninos... A descoberta da sensualidade de Tieta ou Gabriela vieram no fim. E mais amado ele me ficou.
A redescobrir AQUI.

9.8.12

ALPEDRINHA, UM DIA DESTES










Uma coisa é passar na estrada de alcatrão, em direcção ao Fundão e não parar. Não se vê nada.
Paremos, então e subamos a rua até à Fonte Monumental. Ah!

6.8.12

Chavela Vargas - Un mundo raro



Grande voz, grande intérprete!

«Murió hoy, a los 93 años, en su México querido, la gran Chavela Vargas. Murió viviendo, que no es poco. La mayoría de nosotros vive muriendo. Desearle que descanse en paz se me antoja un insulto. No creo que tuviera ganas de descansar. Que se preparen allá arriba, esta noche sobre las nubes tocarán mariachis y correrá el tequila. Denle la mejor de las bienvenidas a la eternidad.»