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10.8.09

IMAGENS DO MEU OLHAR - Nª Srª dos Milagres - Freg. DOIS PORTOS, TORRES VEDRAS












"Não muito longe da Folgorosa [Dois Portos], no alto de um monte, a pequena capela de Nª Srª dos Milagres, com a sua pitoresca galilé, tem as paredes interiores revestidas com bons azulejos de tapete do século XVIII e um curioso tecto de masseira, de largos caixotões com pintura de ornatos de época posterior - final do século XVIII -, ostentando também legendas em latim tiradas dos textos sagrados. O ambiente conserva todo seu carácter. Quanto à capela-mor. precedida de arco triunfal com pinturas, é forrada com azulejos do século XVIII representando a Anunciação, a Adoração dos Pastores e Adoração dos Reis Magos. O tecto é também decorado com pinturas do século XVIII." (in Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Junta Distrital de Lisboa, 1963)
É um passeio que vale a pena. Não fui ao interior da capela porque estava fechada e não procurei a chave na povoação mais próxima, Via Galega. Esta visita foi para apreciar bem todo o exterior da capela, a que se adossam várias dependências nas traseiras, possivelmente casas de apoio para os dias de romaria (ou "círio", como se diz nesta região). Panorama lindíssimo, apesar de o monte não ser muito elevado.
O dia pode acabar com uma refeição num restaurante de Via Galega, cujo nome não fixei mas que me gabaram muito, onde servem um bom Bacalhau à Lagareiro.

FOTOS © MÉON

IMAGENS DO MEU OLHAR - Nª Srª dos MilAGRES Freg Dois Portos




















Pormenores de uma lindíssima capela rústica, situada na fronteira entre os concelhos de Torres Vedras e Sobral de Monte Agraço, na freguesia torriense de Dois Portos, perto do lugar de Folgorosa. Construção do século XVII/ XVIII. Orago: Nossa Senhora dos Milagres.
Fotos © Méon


17.1.09

LUGARES MENOS CONHECIDOS

Dar de beber a quem tem sede...
Estamos a meia dúzia de quilómetros de Torres Vedras: Caixaria, Louriceira
Um púcaro perto da bomba de tirar água. A roda de tirar água. Um fontanário rústico. Um mina de água com depósito, no meio do campo...








A capelinha da Orjeiriça



6.12.08

CHOUPAL E RIO SIZANDRO: a nossa tristeza!


Página LUGAR ONDE no BADALADAS, 21 Novembro 2008

O Rio Sizandro e o Choupal são duas faces do mesmo problema.
O abandono do Choupal por parte da população torriense é uma acusação silenciosa à incapacidade autárquica para resolver o problema do Rio. Não há uma política eficaz de “integração dos recursos naturais e dos valores ambientais no quadro do ordenamento do território”. Porque “os rios são mais do que um simples sistema biofísico. Eles são, e através dos tempos sempre foram, um elemento de cultura e de civilização” (in O RIO COMO PAISAGEM, Maria da Graça Saraiva)
Os projectos para o Choupal estão prometidos há anos e é com cepticismo que aguardamos a sua concretização. Mas, enquanto isso não acontece, achamos inaceitável o estado de abandono do Parque e da sua Bica histórica. Trata-se da simples manutenção e limpeza daqueles espaços, ao lado dos quais passam diariamente centenas de pessoas. É uma tristeza!





Torre Vedras também tem um Choupal!
É um espaço onde o Outono poisa todos os anos com as cores que só ele tem.Mas para que serve? Para estar abandonado! Raramente se vê alguém por lá, apesar de rodeado por zonas habitacionais.





Neste Choupal há uma Bica centenária, com uma inscrição de 1665. Foi valorizada há mais de um ano por uns vândalos, com intervenções artísticas cuidadosamente preservadas pela autarquia local...
Diz Júlio Vieira, na conhecida obra “Torres Vedras, Antiga e Moderna”:
Refira-se ainda o Chafariz de São Miguel, hoje situado no Choupal, cujo nome se deve à igreja de São Miguel, que se encontrava de fronte, ao Sul, na margem esquerda do rio Sizandro.
A sua presença é atestada por uma carta de emprazamento, datada de 1267, relativa a um olival, situado a São Vicente a par do Chafariz de São Miguel.
O chafariz tinha igualmente um brasão de armas moderno, não datado, mas que seria, muito provavelmente, do século XVI, encontrado em um monte de pedras, junto à igreja da Graça.



Ainda podem ser apreciadas as ruínas de antigas gaiolas e capoeiras onde, há vinte anos, viveram alguns animais. E há vestígios de um parque infantil, de um campo de jogos, um coreto sem préstimo e um depósito de água meio arruinado. As casas de banho públicas metem medo…
Porque é que as pessoas ignoram o Choupal?
Talvez seja altura de olhar para o rio que corre ali perto.





O Rio Sizandro está a ser alvo de nova limpeza. Isto é: arrasa-se toda e qualquer vegetação, rapam-se os taludes, mata-se qualquer hipótese de vestígios biológicos. No meio corre um líquido negro, pestilento, com garrafas de plástico, pneus, lixo…
Leia-se o que, a este propósito, escreveu uma estudiosa dos rios:


Sujeitos à poluição e à artificialidade pelas obras de regularização, muitos rios assumem uma degradação crescente que se reflecte no condicionamento das utilizações, no afastamento das actividades urbanas de maior prestígio e na profunda alteração dos sistemas biológicos a eles associados. Canalizados e poluídos, transformam-se em elementos indesejáveis pelas populações e autoridades decisoras do ordenamento do espaço. Quando a sua dimensão o permite, são cobertos e eliminados da superfície do solo, criando-se gravíssimos e crescentes problemas, sobretudo face à ocorrência de cheias e inundações, agravando os prejuízos e efeitos pela obstrução e redução da sua capacidade de escoamento. Quando de maiores dimensões, e, na impossibilidade da sua cobertura, transformam-se em canais artificializados, de cor e cheiro desagradáveis, sem vida animal ou vegetal ou com a presença de vegetação invasora e desadequada ecologicamente. (O RIO COMO PAISAGEM, Maria da Graça Amaral N. Saraiva, Fundação C. Gulbenkian, Lisboa, 1999)
SUGESTÃO

Agora que a estrada para Santa Cruz está a ser alargada, sugiro à população que exija da Câmara Municipal o abate das árvores do Choupal, a substituição da Bica por um bebedouro como o que foi feito na Praça 25 de Abril, o nivelamento por terraplanagem e a implantação, finalmente, da rotunda distribuidora de trânsito de que Torres Vedras tanto precisa.
Torres Vedras tem direito ao progresso, de modo a implementar o desenvolvimento, com vista às sinergias nas duas vertentes concomitantes: o conceito e a atitude! ! !

Fotos © Méon

23.5.07



A austera beleza de uma casa oitocentista, algures entre Dois Portos e S. Domingos de Carmões - concelho de Torres Vedras.

16.5.07

LUGAR ONDE - BADALADAS Semanário Regional de Torres Vedras




FLORBELA ESPANCA



A CORAGEM DE DIZER, CANTANDO, A TODA A GENTE

Mais do que os aspectos nevróticos da sua personalidade, importa realçar a extraordinária artífice de poesia que foi Florbela Espanca.

A poesia precisa de emoção e sentimento mas isso não chega. Muitos autores pensam que os seus poemas têm valor só porque os fizeram com lágrimas nos olhos, a sentirem muito o que escreviam. Mas não basta isso: é necessária, de igual modo, uma realização linguística significativa, uma construção artística e rigorosa de palavras. Caso contrário não se passa de banalidade vazia.
Florbela Espanca soube aliar à sensibilidade – por vezes exacerbada - uma enorme capacidade para exprimir verbalmente quem era e o que sentia. Usou como forma artística o soneto decassilábico ( poema de 14 versos de dez sílabas, em duas quadras e dois tercetos) em que foi exímia, muitas vezes ao nível dos nossos maiores nessa arte - Camões, Bocage e Antero de Quental. A sua originalidade está no facto de, usando essa forma clássica, abordar temas extremamente ousados para a sua época, como são o erotismo e a mulher activa na relação amorosa. Não fazendo parte de nenhuma escola ou grupo literários, conjugou as suas vivências pessoais com o tom mais inovador da expressão poética do seu tempo, de que Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa foram exemplos maiores. Florbela Espanca foi dos primeiros escritores a libertarem-se do convencionalismo moralista, assumindo o Desejo e o Corpo como realidades a não esconder, o que lhe acarretou incompreensões de toda a ordem. De igual modo antecipou o sentir da Humanidade moderna, insatisfeita e revoltada, procurando desesperadamente um sentido para a vida e as formas mais intensas de o exprimir. Foi esta coragem de viver em antecipação ao seu tempo que garantiu a Florbela Espanca a projecção que ainda hoje tem.

VIDA E OBRA

Florbela Espanca ( 1894 – 1930 ). Natural de Vila Viçosa, Alentejo. Estudos liceais em Évora e universitários em Lisboa. Dois casamentos e dois divórcios, motivos de escândalo na época. Terceiro casamento, com um médico. Devastada pela morte de seu único irmão, em 1927, e enredada nas contradições entre a afectividade real e a ânsia de Absoluto, suicida-se a 8 de Dezembro, no dia do seu 36º aniversário, na casa onde vivia, em Matosinhos. Desde 17 de Maio de 1964 – data da trasladação - os seus restos mortais repousam à entrada do cemitério da sua terra natal.
Obra principal: “SONETOS”, em que se reúne a poesia publicada antes e depois da sua morte: «Livro de Mágoas»(1919); «Livro de Soror Saudade»(1923); «Charneca em Flor»(1930); e «Reliquiae», versos póstumos publicados pela primeira vez na 2ª edição de Charneca em Flor, em1931. Também postumamente foram publicados textos seus em prosa: «Cartas de Florbela Espanca», «Contos» e «Diário». Os «Contos» (colectâneas “O Dominó Preto”, “As Máscaras do Destino” e “Contos Esparsos”) e o «Diário» tiveram uma 1ª edição de bolso nas Publicações Dom Quixote, em 2000.




EXCERTOS DO “DIÁRIO” (escrito no ano da sua morte)

23 de Janeiro: «Para que quer esta criatura a inteligência, se não há meio de ser feliz?», dizia, dantes, meu pai, indignado. Ó ingénuo pai de 60 anos, quando é que tu viste servir a inteligência para tornar feliz alguém? Quando, ó ingénuo pai de 60 anos?... Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto, ó ingénuo pai de 60 anos!

23 de Fevereiro: A vida tem a incoerência dum sonho. E quem sabe se realmente estaremos a dormir e a sonhar e acabaremos por despertar um dia? Será a esse despertar que os católicos chamam Deus?

28 de Fevereiro: Estou tão magrita! A lâmina vai corroendo a bainha, a pouco e pouco, mas implacavelmente, com segurança. Devo ter por alma um diamante ou uma labareda e sinto nela a beleza inquietante e misteriosas das obras incompletas ou mutiladas.

2 Dezembro: (última anotação) E não haver gestos novos nem palavras novas!


SONETOS DE FLORBELA


QUEM SABE?...

Queria tanto saber porque sou Eu!
Quem me enjeitou neste caminho escuro?
Queria tanto saber porque seguro
Nas minhas mãos o bem que não é meu!

Quem me dirá se, lá no alto, o Céu
Também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma, que morreu?
Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!

A estrada de Damasco, o meu caminho,
O meu bordão de estrelas de ceguinho,
Água da fonte de que estou sedenta!

Quem sabe se este anseio de Eternidade,
A tropeçar na sombra, é a Verdade,
É já a mão de Deus que me acalenta?


SER POETA


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!



AMBICIOSA

Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar...

Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar...
- Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !

Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !

O amor dum homem? – Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? Quando eu sonho o amor de um Deus!...




TRAÇOS DE IDENTIDADE I I















Ainda está a tempo – até 26 de Março - de ver a belíssima exposição de fotografia na Galeria Municipal Paços do Concelho, realização conjunta do Espeleo-Clube de Torres Vedras e da Associação para a Defesa do Património de Torres Vedras, com o apoio da Câmara Municipal. As 115 fotos mostram monumentos, lugares, casas, materiais, atmosferas... que, no seu conjunto, ajudam a definir os traços de identidade do nosso concelho.