13.7.06

HOJE: PASSEIO À SERRA DE MONTEJUNTO




Faz parte do nosso horizonte quando olhamos para NE. Santuário da Natureza, espaço único que tantas vezes ignoramos. Corremos todos para a praia, parece que não sabemos fazer mais nada quando vamos de passeio. Contra mim falo...

Mas hoje fomos lá. Contemplámos! E lemos o que alguns mais informados ( e preocupados!) nos quiseram transmitir.

Querem partilhar connosco? Aí ficam algumas dicas.


Serra Montejunto



A Serra de Montejunto foi classificada Área de Paisagem Protegida em Julho de 1999, e Sítio da Rede Natura 2000 (lista europeia de sítios de interesse para a conservação da natureza) A destacar-se na paisagem, entre Cadaval, Alcoentre, Alenquer e Vila Verde, ergue-se a serra de Montejunto, com 15km de extensão e 7 de largura, atingindo no ponto mais elevado 666 m, de onde se desfruta um vasto panorama. A vegetação que reveste esta formação de natureza calcária é em parte constituída pelas plantas espontaneamente adaptadas às condições ecológicas que a mesma oferece, dominando a azinheira e o carrasco, além de algumas espécies botânicas que só ali se encontram. Da natureza geológica e conformação da serra resulta a abundância de água, proveniente das nascentes que a rodeiam e que, recebida numa vasta bacia fechada, se infiltra por orifícios ou algares. Como normalmente se verifica em formações geológicas idênticas, existem na serra grandes cavernas onde foram encontrados vestígios de uma fauna há muito extinta no País. De facto, no passado a serra era coberta por uma densa mata onde abundavam os animais bravios.
Apesar das árvores já não constituírem um dos elementos naturais mais comuns em Montejunto, porque o fogo ceifou muitos hectares de floresta ao longo destes últimos quinze anos, a que se somam os efeitos negativos provocados pelo plantio crescente de eucaliptos, é ainda possível encontrar em Montejunto a sombra e a frescura de pequenos bosques de castanheiros, cedros, ciprestes, pinheiros e o verde da extensa manta das espécies arbustivas: carrascos, carvalhiça, azinheiras, loureiro, aroeira, medronheiros, etc. Mas também a beleza das cores do alecrim, rosmaninho, rosa albardeira e das muitas dezenas de espécies de flores silvestres raras, constituindo uma área de estudo muito interessante.


Fauna de Montejunto

A Serra de Montejunto possui um ecossistema de montanha, muito diferente do da região envolvente, devido a: - Sistema de escarpas - Acentuado declive das suas vertentes - Altitude
Em termos geo-morfológicos a serra inviabiliza qualquer povoamento humano. O que felizmente significa uma riqueza faunistica única. Com base nos estudos e observações por nós efectuadas podemos já apresentar uma pirâmide ecológica da Serra. Embora não a consideramos definitiva, será contudo o suporte essencial de uma outra mais elaborada, para o que será necessário um conjunto de estudos específicos que desde já nos propomos levar por diante. No primeiro nível, os seres produtores constituem um conjunto de várias combinações vegetais. Esta diversidade permite a existência de uma grande variedade de consumidores de primeira ordem . Para além da diversidade, a inexistência de produtos tóxicos usualmente utilizados na agricultura na agricultura, confere ás populações de primeiros consumidores da Serra a preciosa característica de não constituírem perigo para os seus predadores. Com estas populações abundantes, variadas e saudáveis, abre-se caminho da melhor maneira para os níveis superiores.
Imediatamente acima deste nível surge o das espécies que se alimentam principalmente de insectos e pequenos invertebrados: Batráquios, Quiropteros, Insectívoros e algumas pequenas aves dependem quase exclusivamente do nível trófico anterior. Juntamente com algumas espécies vegetais e de passeriformes, é nos dois últimos estratos predadores e super-predadores que se encontra o mais valioso património genético da Serra. Ainda que executando a tarefa indiscutivelmente necessária do controlo de pequenos mamíferos (nomeadamente roedores), estes grupos têm sofrido nos últimos anos uma substancial redução dos seus efectiv
Na Serra de Montejunto já foram identificadas cerca de 115 espécies de aves, entre elas a gralha-de-bico-vermelho, o corvo, o gaio, o melro azul o pica-pau verde, o peneireiro e a águia-de-asa-redonda. Existem 3 espécies consideradas em vias de extinção, e por isso rigorosamente protegidas: o Bufo-real, a Águia de Bonelli e o Andorinhão Real. O primeiro é uma rapina nocturna que chega a medir 75 cm, e é o único super-predador da pirâmide ecológica representativa da Serra.
Entre os mamíferos destacam-se o gato-bravo, os texugos e sobretudo várias espécies cavernícolas de morcegos, uma das maiores riquezas faunísticas da serra e que esteva na base da sua inclusão na lista da Rede NATURA 2000.
Existem também repteis como o sardão, a cobra rateira e a cobra de ferradura e alguns anfíbios como o sapo-comum, a salamandra de pintas e o tritão-marmorato.


Ameaças ao Montejunto

Florestação

A plantação, em larga escala, de algumas espécies vegetais como o eucalipto (Eucalyptus globulus), tem vindo a alterar de forma irreversível a fisionomia da serra e da região. Existe também o problema de existirem empresas que querem executar trabalhos de terraplanagem de uma das encostas e de parte do planalto para a plantação de Eucaliptos, com o fim da obtenção de celulose. A concretizar-se, a florestação com Eucaliptos constituirá rude golpe na fauna serrana. Pela gravidade de que se reveste, esta é a principal ameaça com que se defrontam as aves de presa e os outros animais do Montejunto.

A caça
Existem na área zonas de proibição de caça, estando a restante área sujeita ao Regime Geral. No entanto realce-se que a caça ilegal tem sido um factor importante de perturbação com efeitos graves na fauna em geral. Apesar de protegidas pela lei, nem por isso as rapaces deixam de ser perseguidas pelos caçadores e populações rurais. A pilhagem dos ninhos e o abate de aves para embalsamar ou pelo simples prazer de destruir, são procedimentos correntes, responsáveis pelo desaparecimento anual de dezenas de aves de presa na região.
Morcego os.
Peneireiro de
Dorso Malhado
Águia ferida por tiro


Os fogos
[A Serra de Montejunto foi grandemente devastada por imensos incêndios ...]
Os fogos são também uma das preocupações e uma das maiores ameaças para a serra de Montejunto. Estes ao longo dos anos têm destruído zonas da serra muito bonitas e interessantes, pondo também a descoberto grandes e largas extensões de ossatura pedregosa da serra.

Pressão Humana

Dada a proximidade de Lisboa e as excelentes condições naturais que oferece, a serra de Montejunto é bastante procurada para a prática de modalidades desportivas como a asa delta, o montanhismo e antigamente o rallye (agora substituído pelo todo-terreno). Estas práticas desportivas perturbam o ambiente natural e as espécies, e têm vindo a ser praticadas a uma escala crescente. A perturbação causada por estas actividades pode constituir uma ameaça grave que importa ter em conta. A asa delta e o parapente são desportos com grandes impactes por estar muito próximo dos locais mais interessantes e sensíveis da serra – as escarpas.

A Real Fábrica do Gelo


Classificado como Monumento Nacional em Dezembro de 1997 pelo Ministério da Cultura a Real Fábrica de Gelo situa-se na Serra de Montejunto, a 70 km de Lisboa, perto duma Base da Força Aérea. A edificação da "fábrica do gelo" da serra de Montejunto, é geralmente atribuída aos Frades Dominicanos, que aí permaneceram no início do séc.XIII, tendo fundado o primeiro convento em ordem de S.º Domingode Portugal a mando de João Rosa e Pedro Fracalanza, entãconcessionários do abastecimento e comercialização do gelo em Lisboa, tendo a obra demorado seis anos. A citação mais antiga, data de 1741, ano em que os dois responsáveis pelo abastecimento de gelo à cidade de Lisboa executaram obras na serra do Montejunto, aproveitando assim as boas condições climatéricas da serra. O fabrico de gelo iniciava-se no final do mês de Outubro. Cerca de meia centena de tanques amplos e rasos de calcário que serviam para a operação de congelamento, cobriam-seágua que, ao atingir o estado sólido durante a noite, era retirada e colocada em camadas nos poços construídos para o efeito dentro de um edifício típico da altura, perto destes tanques. Naquele tempo dizem historiadores que fazia muito mais frio, daí que esta Serra fosse conhecida por ser a Serra da Neve, algo que raramente temos nos dias de hoje. O mês de Outubro era o escolhido para encher os tanques, através de um sistema de condutas (entre tanques), enchendo-os e fazendo com que o passar da noite se transformasse em gelo. "Antes do nascer do sol dezenas de pessoas, num trabalho árduo, partiam as placas de gelo e amontoavam os fragmentos, para depois os carregar para o edifício dos silos" Depois de devidamente armazenados nos três "poços" , do qual o mais alto tinha 9 metros de profundidade o gelo era cuidadosamente envolvido em palha e serapilheira, os blocos de gelo eram primeiramente transportados no dorso de pacientes burros, que os conduziam até à base da serra. Aqui chegados prosseguiam viagem em vagarosos carros dbois até atingirem o porto do Carregado . A derradeira fase do percurso era efectuada nos "Barcos da neve" que, Tejo abaixo, atingiam finalmente a capital com prioridade absoluta de passagem por ordem real. Este gelo após esta viagem que chegava a durar até um dia, acabava por chegar às instalações reais e podia então cumprir o seu destino, perecendo na fausta mesa real ou ao balcão de um cafés lisboetas, como o exemplo de "Martinho da Arcada". s o de e
O património histórico da Serra inclui ainda no topo a Ermida de Nossa Senhora das Neves, edificada no sec. XIII. Situada junto às ruínas do primeiro convento Dominicano (sec. XIII) esta ermida é local de culto para milhares de cristãos. Nas proximidades existe ainda a pequena capela de S. João Baptista, com azulejos figurativos com temas da vida do santo que lhe deu o nome.
Tanques do gelo
Área de Armazenamento

Estas informações foram retiradas do site da ALAMBI. Aconselhamos uma visita mais completa.
APARTADO 63 2584-909 ALENQUER alambi@alambi.org Tel. 914023930 www.alambi.org
A Alambi é uma Organização Não Governamental de Ambiente de âmbito local,
inscrita no Registo Nacional de ONGA e na Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente

1 comentário:

Oestino disse...

Gostei do vosso passeio. Já fui algumas vezes àquela serra e nunca me saturo. As informações são úteis mas... para um blogue se calhar são muito extensas. Bastava indicar o site...
Desculpem, acho que a intençaõ foi boa.