8.11.06

RUBEM ALVES: vale a pena (re) descobri-lo








"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..." (Rubem Alves)

Rubem Alves nasceu no dia 15 de Setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado num bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam o seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano.
Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou a carreira como pastor no interior de Minas. No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo-se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerceu as funções de pastor naquela comunidade até 1963.
Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975), sendo esta a inspiradora na feitura de contos infantis.Em 1963 foi estudar para Nova York, retornando ao Brasil no mês de Maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar.
Abandonou a igreja presbiteriana e regressou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia. Torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary. A tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teologia da Libertação”. De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).
Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação. No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP. É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.
No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.
Na literatura, sobretudo na poesia, encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crónicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.
Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão ao seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um óptimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.
O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.


Ver na net:
A casa de Rubem Alves


Projeto Releituras — Todos os direitos reservados. O Projeto Releituras — um sítio sem fins lucrativos — tem como objetivo divulgar trabalhos de escritores nacionais e estrangeiros, buscando, sempre que possível, seu lado humorístico,satírico ou irônico. Aguardamos dos amigos leitores críticas, comentários e sugestões. A todos, muito obrigado. Arnaldo Nogueira Júnior. ® @njo



COMO CONHECI ESTE AUTOR:

Um pequeno folheto da ASA deu-me a chave desta porta:

" Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..." (Rubem Alves)


Vamos (re) descobri-lo?


4 comentários:

avelaneiraflorida disse...

OBRIGADA,mesmo! MUITO!
Acho que precisava de relembrar a sabedoria dos verdadeiros homens para ter força para continuar...

VAMOS PINTAR ESTA FRASE NAS PAREDES DA ESCOLA?????

J. Moedas Duarte disse...

Sim, Avelã! Já me tinha lembrado disso: fazer fotocópia ampliada, arranjar uma moldura discreta e bonita, pendurá-la em lugar de honra na escola, exterior à própria Sala de Profes.
É que há muita gente que se esqueceu do que somos e da nobreza do que fazemos.

Elitista? Só um ignorante o dirá.

Coragem, amiga! A tua vida está para além de ti.

m disse...

ok! Sorte minha!Nascida 'em' Setembro! Para ?...lutar/morrer (?) como prof em 2 mil e qualqur coisa (?)pelo meio, o 1945 e as lições de piano são as analogias que me fizeram pulsar! Todos nós sabemos (de experiência feito) que há profs que não morrem!

Ricardo Blauth disse...

alo Meon

um dia, poucos meses atras, um amigo colocou um livro em minhas mãos e disse "leia em voz alta"

obedeci

sem saber o nome do autor sentia em cada palavra escrita pareciam meus pensamentos ali colocados

a cronica era do Rubem Alves e falava de um jardim

estou agora lendo tudo que
posso deste autor que mora na mesma cidade de minha mãe
Campinas-SP

PARABENS por valoriza-lo aqui

um abraço brasileiro
Ricardo Blauth

PS. cheguei até voce
pesquizando mais sobre
o Rubem na Internet