27.10.06

RILKE: palavras que são como luz na escuridão




Rainer Maria Rilke:

Rainer Maria Rilke nasceu em Praga no dia 4 de dezembro de 1875. Depois de viver uma infância solitária e cheia de conflitos emocionais, estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. As suas primeiras obras publicadas foram poemas de amor, intitulados Vida e canções (1894). Em 1897, Rilke conheceu Lou Andreas-Salomé, a filha de um general russo, e dois anos depois viajava com ela para seu país natal. Inspirado pelas dimensões e pela beleza da paisagem como também pela profundidade espiritual das pessoas que conheceu, Rilke passou a acreditar que Deus estava presente em todas as coisas. Estes sentimentos encontraram expressão poética em Histórias do bom Deus (1900). Depois de 1900, Rilke eliminou de sua poesia o lirismo vago que em parte lhe haviam inspirado os simbolistas franceses, e, em seu lugar, adotou um estilo preciso e concreto, que podemos perceber em O livro das horas (1905), que consta de três partes: O livro da vida monástica, O livro da peregrinação e O livro da pobreza e da morte. Esta obra o consolidou como um grande poeta por sua variedade e riqueza de metáforas, e por suas reflexões um pouco místicas sobre as coisas.


«Há apenas uma coisa realmente necessária: solidão, grande solidão interior. Entar-em-si e não encontrar ninguém durante horas a fio - é isso que se tem de alcançar. estar só, como quando se era criança e os adultos andavam em redor, para lá e para cá, absorvidos com coisas que pareciam grandes e importantes só porque eles pareciam tão ocupados e porque não se compreendia nada sobre a sua actividade.» ( in Cartas a Um Jovem Poeta, R.M.Rilke)
Em Paris, em 1902, Rilke conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Rodin ensinou o poeta a contemplar a obra de arte como uma atividade religiosa e a fazer versos tão consistentes e completos como se fossem esculturas. Os poemas deste período apareceram em Novos poemas (2 volumes, 1907-1908). Até o início da I Guerra Mundial, o autor viveu em Paris de onde realizou viagens pela Europa e pelo norte da África. De 1910 a 1912 viveu no castelo de Duíno, próximo a Trieste (agora na Itália), e ali escreveu os poemas que formam A vida de Maria (1913). Logo após iniciou a primeira redação das Elegias de Duíno (1923), obra esta em que já se percebe uma certa aproximação dos conceitos filosóficos existenciais de Soren Kierkegaard.Em sua obra em prosa mais importante, Os cadernos de Malte Laurids Brigge (1910), novela iniciada em Roma no ano de 1904, empregou imagens corrosivas para transmitir as reações que a vida em Paris provocava em um jovem escritor muito parecido com ele mesmo.Residiu em Munique durante quase toda a I Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra (Suíça), onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza, concluindo as Elegias de Duíno e escreveu Sonetos a Orfeu (1923). Estas obra são consideradas as mais importantes de sua produção poética. As Elegias representam a morte como uma transformação da vida e uma realidade interior que, junto com a vida, foram uma coisa única. A maioria dos sonetos cantam a vida e a morte como uma experiência cósmica. Rilke morreu no dia 29 de dezembro de 1926 em Valmont (Suíça).Sua obra, com seu hermetismo, solidão e ociosidade, chegou a um profundo existencialismo e influenciou os escritores dos anos cinqüenta tanto na Europa como na América.

4 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Excelente escolha!!!!

MT disse...

«Reúno/a solidão num punho./E arde a noite./Como/se rebentasse no pulso/ a semente do fogo.Mas se eu abrisse os dedos/ os rios arderiam./ E nunca mais seria possível o silêncio.» (F. Echevarría)

J. Moedas Duarte disse...

Sim, estas também são palavras luminosas.
Obrigado pela visita. Estarei sempre por aqui.

JG disse...

E por aqui também há literatura. Já somos dois :-))

Também vi esse inacreditável concurso. Segundo eles dizem, fazem uma rigorosa triagem dos concorrentes. E, se aquilo é a nata das natas, imagine a cultura geral dos que ficam excluídos. Confrangedor!!!!

Um abraço