2.6.07

Além do Tejo


"Ó Alentejo esquecido
ainda um dias hás-de cantar."
(Zeca Afonso)
Deixo aqui este poema que me foi ontem enviado pelo meu amigo Cid Simões
Eu sei que o tema não é exaltante. Mas o Alentejo continua a desertificar-se. Alqueva não vai servir para uma agricultura modernizada mas para regar campos de golf. E já é um lugar de cruzeiros turísticos. Só o "Alentejo esquecido" vai deixando de cantar.


O ENFORCADO

No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.

Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.

Dele sobra o cajado.

(Alexandre O’Neill)

5 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Do pouco que conheço do Alentejo, sente-se nele uma força imensa, latente,teimosamente de pé, e uma herança muito pesada...

O poema de O'Neil é disso bem expressivo...
daquela velha tradição de "antes quebrar do que torcer!"
E não é por acaso que aos alentejanos flagela o suão!!!!

Nómada disse...

É isso, Avelã.
Vivi um ano no Alentejo e fiquei a amá-lo do fundo do coração. A terra onde cresci era de riba-tejo no lado poente e além-tejo no nascente.
Percebi o que quis dizer José Gomes Ferreira quando observou: " "Nunca vi um alentejano cantar sozinho".

Por isso. se conto (poucas vezes) anedotas de alentejanos, é porque eles, na sua imensa sabedoria, não se zangam com isso. Porque sabem que a pretensa "preguiça" que lhes atribuem é uma invenção idiota dos que nunca passaram um Verão naquelas terras.
Tenho um grande respeito pelos Alentejanos!

avelaneiraflorida disse...

Tenho aprendido a amar o Além-Tejo...

As vezes que nele tenho estado têm deixado marcas profundas.

Vladimir disse...

o belo alentejo...único...para quem não é de lá, primeiro estranha-se e depois entranha-se na alma e marca-nos para sempre

JMD disse...

Obrigado pela visita. Fiquei a perceber que gosta de andar pelo Oeste. Eu vivo cá e percebo bem o seu gosto...